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O Homem, a Câmera e o Barco

terça-feira, 27 maio, 2008 @ 12:04 am

Jorge Bodanzky no Muiraquitã - Foto © Hélio VianaDando seqüência ao Papo de Convés do MaraCatu Weblog, que foi inaugurado com o casal Marçal e Eneida Ceccon do Rapunzel no post De Volta ao Paraíso, agora vamos papear com o velejador e cineasta Jorge Bodanzky.

Eu – Você freqüenta a Baía de Angra dos Reis há bastante tempo. Como você vê hoje esta região?

Jorge – Freqüento Angra desde o final dos anos 60, antes da existência da Rodovia Rio-Santos. Em 84 adquiri o Muiraquitã (um Dufour de 27 pés), vim ao Bracuhy para visitar o Blumer [o pai de Mara] e não saí mais. Eu fui criado na Represa de Guarapiranga. Acho que a história vai se repetir aqui, como nos anos 50 em São Paulo, onde a Riviera Paulista virou um pontinho verde cercado por bairros pobres ou favelas.

Eu – Os velejadores Betão Pandiani e Igor Bely estão numa empreitada de ligar o Chile a Austrália a bordo do catamarã Bye Bye Brasil. No final da década de 1980 você fez o documentário “As Aventuras de Igor na Antártica”. Como foi filmar no continente gelado?

O Muiraquitã II em Angra dos ReisJorge – O filme foi uma parceira da Intervídeo com a TV Manchete. Passamos de 6 a 8 semanas, no verão de 1987, no veleiro Kotick com Oleg Bely e sua esposa Sofi. Filmamos com uma Thompsom U-Matic, aquela câmera que tem o gravador separado, mas tem muitas imagens da minha pequenina Vídeo-8. Não é exatamente um documentário, mas um filme de viagem mostrando o garoto Igor, o filho do casal então com três anos, que apesar da idade já tinha duas viagens à Antártica. Foi muito legal reencontrar o Igor, em abril, na loja Fnac, em São Paulo, quando do lançamento do DVD “Travessia do Pacífico – Da Ilhabela à Polinésia num catamarã sem cabine”.

Eu – A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo dedicou um volume da Coleção Aplauso ao cineasta Jorge Bodanzky. Sua esposa Márcia me contou que ao ler o livro parecia que o Jorge estava falando. Pode se dizer que “O Homem com a Câmera” é uma autobiografia?

Jorge – Pode sim. O livro é resultado de umas 19 horas de entrevista ao crítico de cinema Carlos Alberto Mattos, que topou contar minha carreira como cineasta numa espécie de livro de viagens. Você sabe como a satisfação é plena quando se consegue juntar viagem e cinema, ou fotografia…

Eu – É mesmo. Seu filme “Iracema – Uma Transa Amazônica” é considerado um road movie, mas agora você, como coordenador geral da OSCIP Navegar Amazônia, está mais para river movies. Como é o projeto? Qual a tecnologia que se usa na TV Navegar?

O Pasco Nunes do Projeto Navegar Amazonia Jorge – O Navegar Amazônia é um barco/projeto que navega pela Amazônia realizando oficinas de arte, música, educação e inclusão digital com as comunidades ribeirinhas. O Pasco Nunes é um barco regional, de madeira, onde tem um laboratório multimídia no segundo andar com computadores, internet e câmeras de vídeo e fotografia digital. A TV Navegar é uma plataforma para o compartilhamento de vídeos sobre a cultura ribeirinha, produzidos pela equipe do Navegar Amazônia e os próprios moradores das comunidades onde o barco atua. Recentemente nosso documentário “Navegar Amazônia – Uma Viagem com Jorge Mautner” ganhou o prêmio de público e especial do júri no 4º Amazonas Film Festival.

Eu – Sua filha Laís também enveredou pela carreira de cineasta e seus trabalhos são sempre bem recebidos pela crítica, inclusive o último filme “Chega de Saudade”. Será o caso da criatura engolir o criador?

Jorge – Acho que não. [pensativo] Esta semana Laís está em Cannes negociando a distribuição européia do “Chega de Saudade” e acaba de receber a 2ª unidade [um caminhão preparado para projeção de filmes] do projeto Cine Tela Brasil

Eu – Alguém já lhe apresentou como “este é o pai da Laís Bodanzky”?

Jorge – Eu costumo responder que ela é que é minha filha [risos].

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2 Comentários leave one →
  1. sábado, 6 abril, 2013 @ 10:14 pm 10:14 pm

    Olá,
    estava lendo este artigo e atempos procuro on line ou alguém que tenha uma cópia do documentário mencionado, “As aventuras de igor na Antartica”, você saberia me indicar alguém? Ou algum contato que possa me ajudar?
    Eu tinha este documentário em Beta Max mas com o tempo a qualidade foi perdida, a anos procuro por ele…
    Obrigada.

    Curtir

Trackbacks

  1. TV Navegar Amazônia « MaraCatu Weblog

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