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Navegar é preciso

sexta-feira, 13 junho, 2008 @ 12:09 am

Fernando Pessoa by Laerte

Navegar é preciso. E viver não é preciso? Tudo vale a pena se alma não é pequena!

Hoje se comemora os 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa, que tal e qual Luís Vaz de Camões, é considerado um dos mais importantes poetas de língua portuguesa.

Poetas marítimos.

Pessoa publicou em vida um único livro, Mensagem de 1934, de onde copiei Mar Português.

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Veja este trecho de sua “Ode Marítima” (aliás, de Álvaro de Campos, o mais aclamado dos heterônimos – palavra que aprendi agora).

Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente
Uma névoa de sentimentos…

Fernando Pessoa Autor de frases famosas, eu gosto de “A minha Pátria é onde não estou” em Opiário. Ou então veja isso de Ricardo Reis (outro heterônimo): “Quer pouco: terás tudo. Quer nada: serás livre”. Fernando Pessoa teve um único heterônimo feminino. Chamou-se Maria José e em seu nome escreveu um único texto: esta carta.

O Google me disse que a frase mais citada pelos velejadores, “Navegar é preciso; viver não é preciso”, é na realidade do general romano Pompeu que falou (em latim obviamente: “Navigare necesse; vivere non est necesse”) aos amedrontados marinheiros que se recusavam a viajar durante a guerra.

Eu não sei você, mas gosto muito do poema que li no folheto da Regata
Travessia Noronha-Cabedelo:

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas,
que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos
caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.

É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

A tirinha do Laerte e a ilustração de Fernando Pessoa eu pesquei aqui.

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3 Comentários leave one →
  1. sábado, 14 junho, 2008 @ 9:47 am 9:47 am

    Pra combinar com o tema, não posso deixar de citar :

    “Trago dentro do meu coração,
    Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
    Todos os lugares onde estive,
    Todos os portos a que cheguei,
    Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
    Ou de tombadilhos, sonhando,
    E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero…
    (Álvaro de Campos )

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  2. sábado, 14 junho, 2008 @ 10:20 am 10:20 am

    Chris,

    Você hein? Saiu de fininho, nem um beijo de despedida…

    Traga um pouco dos portos a que chegares,
    um pouco das paisagens que verás através das vigias ou do tombadilho do Fetch.
    Sei que tudo isso, que é tanto, é pouco para o que tu queres…

    Boa viagem e estadia nessa temporada na Europa.

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  3. sábado, 14 junho, 2008 @ 2:43 pm 2:43 pm

    Realmente, sai à francesa! mas foi para minimizar a saudade adiantada! Bêju

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