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Seu Zé e a pia

terça-feira, 9 setembro, 2008 @ 12:07 am

Igreja de Santo Antonio do Paraguaçu - Foto © Hélio Viana

Ontem falei do prazer de retornar a um lugar já visitado. Pois aqui vai outro causo verdadeiro e verídico:

Passamos as festas de São João do ano da graça de 2002 na cidade de Cachoeira com Davi e Vera do catamarã Guma. Paramos porque não dava mais para subir o rio que é bloqueado pela represa de Pedra do Cavalo. Na volta fizemos o circuito do rio Paraguaçu ancorando em todas as vilas até a sua foz. Davi, que já foi saveirista, conhece essas águas e suas margens como a palma de sua mão.

O risonho Zé de Souza - Foto © Hélio VianaEm são Francisco do Paraguaçu fomos tomar umas no bar do Seu Zé de Souza, um homem sério, eu diria até sisudo, que relutou um pouco em colocar uma mesa na sombra da varanda onde corria uma leve brisa. Na volta do banheiro eu lhe chamo e falo sério:

– Seu Zé, tenho que lhe confessar uma coisa. Fiz xixi em sua pia.

Mara, Davi e Vera me olharam incrédulos até que o pesado silêncio é quebrado por uma sonora gargalhada do ex-sisudo Zé de Souza. Eu explico: na reforma do banheiro Seu Zé não conseguiu achar na cidade de Maragogipe um mictório e não se fez de rogado: chumbou na parede uma pequena pia na altura exata para se tirar a água do joelho. Não tinha outra opção, se você fosse ao banheiro do bar do Seu Zé tinha que mijar na pia!

Dona Maria - Foto © Hélio Viana Depois do evento da pia tivemos que adiar nossa partida, pois Seu Zé insistiu em nos oferecer no outro dia uma galinha de capoeira à cabidela (também conhecida por galinha ao molho pardo).

Agora em nossa passagem por São Francisco não foi diferente e ele não nos deixou sair até comermos uma porção de camarão ao alho e óleo como oferta da casa. Também não me fiz de rogado e fui até a cozinha para fotografar a arredia Dona Maria (acho que a foto ao lado é exclusiva).

No bar do Zé de Souza foi também um prazer reencontrar a Dona Arlinda Pereira, uma parteira de 87 anos que nasceu e sempre viveu em São Francisco, teve 14 filhos (inclusive trigêmeos) e já fez 1088 partos.

Dona-Arlinda “Dos meus filhos só sobreviveram três homens e três mulheres, mas nunca perdi um dos que eu ajudei a nascer. Comecei a fazer partos com 36 anos e anotava cada um deles num caderno. Eu tinha o nome de cada criança que nascia, pena que perdi esse caderno. Posso até ter feito mais partos, mas não tenho como mostrar”, nos contou a vaidosa Dona Arlinda, radiante em seu vestido estampado, com as unhas, de um amarelo ouro de chamar a atenção do outro lado da rua, pintadas por ela mesma.

Como sempre, a escala em São Francisco do Paraguaçu valeu a pena. Pena que Seu Zé reformou novamente o banheiro e tirou a minha pia.

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One Comment leave one →
  1. Percy e Zilda permalink
    quarta-feira, 10 setembro, 2008 @ 9:14 am 9:14 am

    Mara

    Estamos pensando em ir para Recife no dia 25/9 para assistir a largada da Refeno e encontrar com toda a galera, gostaria de ficar em um hotel próximo ao Cabanga, se você puder me dar uma dica seria bom.

    Gostaria de ver também como poderia ter entrada livre no clube.

    Mande umas informações para mim

    Bons Ventos

    Percy

    Curtir

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