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A Terra dos Crispim

quinta-feira, 19 fevereiro, 2009 @ 10:31 am

Ponta Grossa e suas jangadas- Foto © Hélio Viana

Aqui não tem casa de veraneio, ninguém vende um palmo de terra para “estrangeiros”, os caiçaras gerenciam o turismo de forma comunitária e todos fazem parte de uma mesma família.

É assim que funciona Ponta Grossa, uma pequena vila com umas 60 famílias, espremida entre a larga praia e uma alta falésia, no município de Icapuí no litoral leste do Ceará, a 30 quilômetros de Canoa Quebrada. Há indícios de que o espanhol Vicente Yañez Pinzón aportou nesta ponta, no fim de janeiro ou início de fevereiro de 1500, antes, portanto, do achamento do Brasil por Cabral.

Descida radical na duna - Foto © Hélio Viana Há, também, controvérsias, que merecem um parêntese para quem gosta de história: Pinzón batizou o ponto de chegada no litoral brasileiro de Cabo da Santa Maria de la Consolación. O historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, no livro A história Geral do Brasil (1854), julga “hoje ser a Ponta do Mucuripe, vizinho à província do Ceará”. Em 1929, o historiador Capistrano de Abreu escreveu que Pinzón atingiu provavelmente o Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Já Thomaz Pompeu Sobrinho crê não haver dúvidas quanto a ser Ponta Grossa (ou Ponta de Jabarana), antigo Cabo Corso, o Cabo da Santa Maria de la Consolación. Fecha parêntesis.

O turismo, ainda insipiente, gera trabalho e renda para a população e todos têm um forte respeito ao meio ambiente, tanto que criaram a atuante ASTUMA – Associação de Turismo e Meio Ambiente de Ponta Grossa. As duas pousadas, na realidade quartos externos nas casas dos moradores, fazem parte do Tucum – a Rede Cearense de Turismo Comunitário. Existem também algumas casas de aluguel, alem de barracas na praia e uma lanchonete, todas de nativos. O inusitado é um museu com artefatos europeus e indígenas coletados pelo pescador Josué Crispim.

Passamos uma tarde nesse pequeno vilarejo de pescadores. A maré baixa forma um espelho que reflete as dunas de areia amarelada e falésias de vários tons – do branco ao bordô. A duna móvel avança sobre uma fonte de água mineral e serve de descida radical para os bugueiros mais afoitos. No Ceará, as dunas ainda são livres para as manobras ditas “com emoção”.

Enquanto saboreávamos umas lagostas na barraca Canaã, uma jovem Crispim (você já sabe: todos têm o mesmo sobrenome!) nos explicava que a comunidade chegou a P espelho do mar em Ponta Grossa - Foto © Hélio Vianaimpedir a instalação de um resort e que em 1996, por ordem judicial, a empresa de Edson Queiroz teve que doar aos  moradores 18 hectares de terra, na parte de cima das falésias, pois não há mais espaço na praia. Quando nasce uma criança, ela já ganha o direito a um pedacinho de terra para construir, no futuro, a sua moradia. Hora de ir embora. A conta? R$ 35 e ainda ganhamos musse de limão de sobremesa, uma oferta da casa.

Agora eu sei: é lá que se come a lagosta mais gostosa da região.

Para saber mais:
Portal do Mar
Refugio Canaã
Tese de Ana Maria Goulart (em PDF)

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