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Proa pra Noronha – A Viagem

segunda-feira, 27 julho, 2009 @ 2:32 pm

Sobrevoando Itaparica no avião da TAM - Foto © Hélio Viana O vôo da TAM atrasou umas duas horas. Mesmo assim é rápido ir do Rio a Salvador voando num AirBus A320, a 30 mil pés de altitude e a 900 Km/h. Aleixo Belov já nos esperava no aeroporto Luis Eduardo Magalhães e nos arrasta para comer um tradicionalíssimo acarajé na barraca da Cira, na praia de Itapoã.

Estamos na Bahia e dois de julho é dia de festa, mas qual não é? Nesse dia se comemora a independência da Bahia, quando negros, índios e baianos atacaram, com seus saveiros de vela de içar e de pena, e expulsaram  definitivamente os portugueses a esquadra portuguesa das Terras Brasilis. (como bem alertou o Conde nos comentários, nosso leitor de além mar, os portugueses continuam vindo ao Brasil).

Não vimos o dois de julho. Saímos da Bahia Marina ao meio dia de quarta-feira, 1º de julho, em uma viagem de teste do veleiro escola Fraternidade até a ilha de Fernando de Noronha. Com a ajuda da maré vazando fazíamos 8 nós em direção a boca da barra da Bahia de Todos os Santos. Pela primeira fez o comandante Aleixo passou entre a praia da Barra e o banco de Santo Antônio, depois foi orçar com velas e motores (sim, o Fraternidade tem dois!) contra um vento este-sueste fraco e mar calmo.

Alexey arruma os cabos depois de um rizo - Foto © Hélio Viana Depois do farol de Itapoã, quando as escotas podem ser afrouxadas um pouco, continuamos, agora só à vela, na orça para ganhar barlavento (ou barravento, no linguajar baiano). Você sabe que cerveja gelada, mulher bonita e barlavento nunca é demais para um marujo. Apesar da impaciência de alguns tripulantes (me incluo entre eles), o comandante se manteve irredutível e isto foi uma constante em toda a perna de 724 milhas até Noronha. Decisão acertada, pois pegamos um pouco de vento nordeste e chegamos na ilha com um leste de 12 nós.

Aleixo e Lygia na proa do Fraternidade - Foto © Hélio Viana No caminho fomos aprendendo a usar o barco. Logo a tripulação estava azeitada e as manobras eram feitas com tranquilidade. Tivemos de tudo: mar calmo e ondas de proa, vento de través e na cara, chuva torrencial e calor infernal, trocentos pirajás com rajadas de até 37 nós e 33 horas de motor.

Nos primeiros minutos de segunda-feira estávamos na longitude de Noronha e a 60 milhas da Ponta da Sapata, que montamos às 11:20. Perto das 16:00, depois de quatro longos bordos orçando contra o tal leste fraco, estávamos ancorados na Baia de Santo Antônio em 15 metros de profundidade.

E eu que achava Fernando, o comandante do Kaká-Maumau, com quem fizemos o Caribe em 2008, um homem agoniado… Como Aleixo bem escreveu em seu ultimo livro, quem nasceu ansioso não consegue ser descansado, com suas diligencias em menos de vinte minutos demos uma pequena geral no barco, o bote foi pra água e todos estavam prontos para desembarcar. Consegui escapulir e fiquei a bordo, relaxando, degustando um merecido latão de Skol e curtindo a lua quase cheia sair pelas bandas da Capela de São Pedro.

Fraternidade no Porto de Santo Antônio - Foto © Hélio Viana

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2 Comentários leave one →
  1. segunda-feira, 27 julho, 2009 @ 3:13 pm 3:13 pm

    …”quando negros, indios e baianos….. expulsaram a esquadra portuguesa”….os unicos com toda a legitimidade para espulsar quem quer que fosse, seriam os indios e talvez os negros que foram colocados á força.
    E não foi definitivamente, já fui uma montanha de vezes ao Brasil e parece-me que vou voltar.

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    • sábado, 1 agosto, 2009 @ 11:56 pm 11:56 pm

      Conde,
      Quando D. Pedro I, filho do rei de Portugal, gritou “Independência ou morte”, em 7 de setembro de 1822, “às margens plácidas do Ipiranga”, nascia, sob o ponto de vista formal, o Estado brasileiro. O que pouca gente sabe, mesmo aqui, é que as forças portuguesas continuaram na Bahia e só saíram, de fato, em 2 de julho do ano seguinte.
      Agora o “definitivamente” foi mal, já corrigi. Vocês são bem vindos nas terras brasucas.
      Bons ventos sempre,

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