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Proa pra Noronha – O dia-a-dia

terça-feira, 28 julho, 2009 @ 12:46 am

Fraternidade com a proa  pra Noronha - Foto © Hélio Viana

Ninguém fuma ou bebe a bordo do veleiro escola Fraternidade. Mas o comandante Aleixo, abstêmio de longa data, numa deferência especial ao casal, permitiu que fumássemos na plataforma de popa e me fez uma surpresa embarcando 48 latinhas de Skol (das grandes!). Minha ração diária durante o cruzeiro a Noronha foi um latão, que degustei  acompanhando o comandante em seu ritual ao pôr-do-sol: depois do banho na plataforma de popa ele faz uma pequena preleção, se despede do dia que finda e pede para ver o Sol novamente no próximo dia.

Lygia vigia navio (o AIS diz que está a meia milha) - Foto © Hélio Viana Somos oito a bordo e os turnos foram divididos com dois tripulantes se revezando a cada três horas. Eu fiquei de 3 às 6 em companhia da primeira dama Lygia, Mara e o imediato Alexey ficaram de 6 às 9, depois vem Aleixo e a filha Lara de 9 às 12 e por fim Paulo (o namorido de Lara) e Osvaldino (mais conhecido como Lico, que participou da construção do barco e hoje é o faz tudo a bordo). Adorei meus turnos, sempre vejo o Sol se pondo e no próximo, depois dele nascer novamente – por estas latitudes o Sol começa a quebrar a “barra do dia” por volta das 04:30 da madrugada -, faço um lanche, durmo profundamente e só levanto quando o astro rei já está alto no céu.

Mara e Lygia também se molharam - Foto © Hélio VianaUm incidente digno de nota foi o imediato Alexey que, logo depois de sair do turno, teve a cabine invadida por uma onda que entrou franca pela gaiúta aberta. Erro básico de marujo de primeira viagem: não se abre gaiúta de barlavento. Seria cômico se não fosse desconfortável. Ri, mas deu pena de vê-lo sair para o cockpit, molhado e acabrunhado com o colchão encharcado embaixo do braço. Outra vítima foi Mara, que tomou um bom banho salgado assim que acordou e nos rendeu às 6 da matina.

Lara e Paulo filmam durante a calmaria - Foto © Hélio Viana Aproveitando a calma e o conforto da velejada reli A Volta ao Mundo em Solitário, livro onde Aleixo relata sua 1ª viagem no Três Marias que, planejada para dois anos, ou 30 meses, foi completada em 14 meses! Como costumo dormir tarde, aproveito para fazer também o turno com Aleixo e Lara. É um privilégio ler umas tantas páginas e em seguida poder conversar com o autor, puxar por sua memória, descobrir “causos” que não foram escritos. Às vezes leio em voz alta para ele e o papo rola firme até meia noite. O livro, lançado em 1981, esta esgotado há bastante tempo. Mas agora vem a boa nova: foi revisado, recebeu algumas fotos inéditas, já esta na gráfica e vai ser lançado brevemente pelas Edições Marítimas.

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