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A incrível mulher que vira cachorro

segunda-feira, 14 dezembro, 2009 @ 4:45 pm

Iate Clube do Natal (em foto escaneada)

“Quando vocês voltarem ao Iate Clube do Natal, não deixem de procurar o casal Nelson e Lucia, que está se preparando para morar a bordo do veleiro Avoante”, a valiosa dica nos foi passada por Bel e Bob do Bicho Vermelho, que tinham feito escala por lá antes de seguirem para o Caribe.

Tripulação do Avoante recebendo o troféu Tartaruga Marinha da RefenoNem precisamos procurá-los. Assim que chegamos, Nélson, o clone de Bil Clinton, e Lúcia, uma cearense arretada e azougada, vieram nos dar as boas vindas e em menos de 20 minutos de papo nos convidaram para passar uns dias em sua casa na beira da Praia do Marco, que fica depois de São Miguel do Gostoso (eita nome bonito para uma praia), pertinho do Farol do Cabo Calcanhar, onde o Brasil faz a curva.

Como havia muitas tripulações conhecidas no clube, por conta da Regata Noronha – Natal de 2002, eles ainda nos permitiram levar mais duas pessoas. Nélson nos conseguiu uma vaga no píer para deixar o MaraCatu e lá fomos nós, mais Orion, Neca e a cachorrinha Belinha, do veleiro Bicho Papão, com quem, depois, esticamos até a pouco explorada vila de Galinhos – mas isso é assunto para um outro post.

Neca, Orion e Mara na Praia do Marco Depois de orgias gastronômicas de camarões e lautos almoços, sem contar os desjejuns (já ouviu falar do tradicional café da manhã potiguar? Até peixe frito vai pra mesa!), fomos conhecer a família de Pedrinho Caralho (é este mesmo o apelido) em Exu Queimado (pense num nome estranho para um lugarzinho massa!), onde um carro de som anunciava em altos brados a passagem de um circo pela vila com a grande atração da noite: a mulher que vira cachorro. Caramba, nós tínhamos que ver isso!

Mas vamos dar um rumo a este post, clique aí para saber a história da incrível mulher que vira cachorro.

O circo era bem mambembe, do tipo “tomara que não chova”, pois não tinha nem teto, e tocado só  por um casal e o filho. Quando chegamos à bilheteria a fila era grande, mas nossos anfitriões deram um jeito e compraram ingressos para os amigos e para o resto da fila (a 30 centavos para os locais e 50 para os “estrangeiros”, como nós). Depois disso ganhamos cadeiras especiais, na boca do picadeiro.

“Vocês podem mudar de lugar durante o número do trapézio?”, pediu o malabarista, para em seguida explicar com ar preocupado: “é que quando a corda arrebenta, meu pai costuma cair exatamente onde vocês estão”. Eu já disse que o circo era mambembe?

Depois de muito suspense, chegou a hora do grande número. Fiquei matutando que truque seria aquele. Rufam os tambores, a luz é dirigida em foco para o fundo do picadeiro e aparece a mãe do malabarista, uma senhorinha baixa e um pouco acima do peso, com um cachorrinho preso na coleira. Eles vão lentamente até a boca de cena, o cachorro se deita, ela se agacha, vira o cachorro para um lado, depois para o outro e… termina o espetáculo.

Silêncio total. Quando a ficha caiu , pipocou uma gargalhada aqui, outra acolá e um caloroso aplauso. Entendeu? Não sei você, mas eu achei genial.

12 Comentários leave one →
  1. segunda-feira, 14 dezembro, 2009 @ 10:24 pm 10:24 pm

    O que vale é que, com a mesma facilidade com que explicas a lógica da praça do Português, que tem as cadeiras viradas para o lado contrário da tela de televisão, relatas este episódio…..extra-terrestre.

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  2. manoella permalink
    segunda-feira, 14 dezembro, 2009 @ 11:29 pm 11:29 pm

    tanto tempo sem comentar…..o seu post me deu saudades da minha terra!
    galinhos é uma maravilha mesmo…a ostra q se come lah entao!!
    abraços hélio! parabens..aniversario do blog! 🙂
    manoella – de natal

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  3. MARCELO permalink
    terça-feira, 15 dezembro, 2009 @ 1:56 am 1:56 am

    Rindo muito, ja começo imaginar uma ilustração pra cena!

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  4. Reinaldo permalink
    terça-feira, 15 dezembro, 2009 @ 8:43 am 8:43 am

    Hélão, acabo de descolar um jeito de levantar uma graninha extra para quando for morar a bordo: O homem que vira cerveja!
    Emborcar umas latinhas e ainda ganhar uns pichulés, quer mais!!!
    Abs,

    Reinaldo

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  5. terça-feira, 15 dezembro, 2009 @ 11:10 am 11:10 am

    Reinaldo, tambem vais morar a bordo? o que se passa com vocês ai para sul? não gostam de aparar relva?! (isto é a inveja a falar….não sou eu!).

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  6. Reinaldo permalink
    terça-feira, 15 dezembro, 2009 @ 11:50 am 11:50 am

    Conde,

    Como se diz por aqui, já comi muita grama, to querendo agora é colocar o barco de volta na àgua e ficar a bordo o máximo que puder.

    Abs

    Reinaldo

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  7. ivanperdigao permalink
    terça-feira, 15 dezembro, 2009 @ 3:24 pm 3:24 pm

    Hélio,
    Mais uma vez parabéns pelos posts muito bem relatados.
    É claro que o episódio desse post poderia ser aproveitado para diversas alternativas de número circense como aliás já sugeriu o Reinaldo.
    Dou mais uma idéia para você usar quando estiver precisando levantar um dinheirinho para a cerveja: o Paraíba que vira mulher (com a possível colaboração da Mara… hehehe).
    Grande abraço,
    Ivan mais Egle

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  8. Nelson permalink
    quarta-feira, 16 dezembro, 2009 @ 5:21 pm 5:21 pm

    Valeu Hélio! Aqueles dias na Praia do Marcos deixaram muitas saudades, boas lembranças e muita ressaca. O circo ainda continua trazendo seus números mirabolantes, um dia teve a incrível briga de anões, que foi recorde de bilheteria. Peeeeense numa briga arretada!
    Grande Abraço, Nelson e Lúcia

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  9. quarta-feira, 16 dezembro, 2009 @ 7:16 pm 7:16 pm

    Reinaldo, e se o programa das festas é ir morar para bordo eu sugiro um blog para contar a transição e a sensação de abandonar o mundo profano e a adptação ao mundo natural de pé descalço.

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  10. quinta-feira, 17 dezembro, 2009 @ 11:07 am 11:07 am

    Boas lembranças e saudades dos amigos! Beijão pra vocês e Boas Festas.
    Órion e Neca

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  11. Antonio (de Natal) permalink
    terça-feira, 22 dezembro, 2009 @ 5:31 pm 5:31 pm

    Valeu Helio!
    Essa estoria tava tão boa que fui obrigado a coloca-la no meu blog.
    Queria aproeitar pra desejar um Feliz Natal pra tripulação do Maracatu e 2010 com tudo de bom, inckusive uma visita aos amigos de Natal.

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  12. quinta-feira, 27 janeiro, 2011 @ 9:59 pm 9:59 pm

    Conde,

    Tá vendo? Nós temos muito dos portugueses.
    Você notou que Reinaldo lançou o blog do Veleiro Mythos? Tá na seção Radar aqui do blog. Vai lá!

    Manoella,

    Apareça mais. Foi ótimo te encontrar, mesmo rapidamente, no Iate Clube do Natal.

    Marcelo,

    Seria ótimo ter sua parceria na ilustração do post do blog do MaraCatu.

    Reinaldo e Ivan mais Egle,

    Vou fazer uma dupla com Reinaldo: ele vira a cerveja e eu faço o homem que vira peixe. Pense na cena: uma frigideira com um peixe dentro e, depois de uma encenaçãozinha, uma viradas no peixe prum lado e depois pro ourto, como quem vira uma tapioca. Voilá!

    Antonio,

    Obrigado por divulgar o blog do MaraCatu. Sinta-se a vontade de publicar as notas que saem aqui, desde que faça um link pra cá e cite a fonte, claro.

    Nelson e Órion,

    Foram muito bons aqueles dias. Sinto saudades.
    Por incrível que pareça o casal que passou uma semana fazendo charter comigo, Zé e Camila lá de Fortal, assistiu recentemente a briga de anões, só que em Recife. Pode? Para saber da marinização da Camila clique aqui.

    Bons ventos a todos, sempre.

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