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Entre os pólos

segunda-feira, 22 fevereiro, 2010 @ 4:57 pm

Gerónimo, agora, na escala em Bracuhy Em 10 de fevereiro de 1991, Gerónimo Saint Martín partiu de La Plata, na Argentina, para uma viagem em solitário no La India, seu veleiro H20 de 6 metros. A ideia era fazer, em dois meses, uma escala em Florianópolis e retornar. Mas houve uma pequena alteração nos planos originais e o regresso só se deu em setembro de 2000. Até aí tudo bem, cruzeirista costuma mudar os planos ao longo do caminho, não fosse o fato de que ao fim dessa década Gerónimo ter navegado o Oceano Atlântico, quase de pólo a pólo, sozinho em um barco de 20 pés!

O H20 foi desenhado por Don Jorge Heguilor a partir de um projeto de 1 923 do americano John Alden. É um barco de linha na Argentina com 550 unidades na água (o La India é o casco nº 474). Aqui é como se fosse o Rio 20, projetado por Roberto Cabinho Barros.

Rota depois da perda do mastro do La India Conheci Gerónimo em sua escala em Angra dos Reis. Foram visitados muitos povos de culturas diferentes e lugares incríveis em latitudes nunca antes alcançadas por embarcação tão pequena. Como foram muitos os percalços: o sumiço do barco por duas semanas no Caribe, vendavais homéricos no Mar de Barents intercalados por calmarias enervantes que quase acabaram com seus suprimentos, pés congelados nos invernos rigorosos e um desmastreamento seis dias após zarpar da Islândia que o fez mudar o rumo para a Noruega (mapa ao lado), antes de conquistar o Spitzberg no verão seguinte.

La India em Longyearbyen ao lado um ex BT Chalenge, convertido para charterDepois de muito tempo sem notícias recebi um cartão-postal de Gerónimo onde se lia:  “finalmente, aos 8 de agosto de 1 998, a proa do La India tocou na calota polar Ártica na posição 80° 24´N e 12° 42´E. Ese enorme desierto de hielo que no se elevaba mas de 80 cm o un metro del agua, era por lo que me habia jugado los ultimos tres años de mi vida. Não dá mais para subir. Agora temos que voltar”.

La India em Magdalena FjordMas não voltaram direto para o Club Nautico Quilmes, em sua cidade. Antes Gerónimo e La India navegaram até águas Patagônicas, pelo Estreito de Magalhães até o Pacífico e a viagem só culminou com a confraternização das crianças de Longyearbyen, em Svalvard, o povoado mais boreal do planeta, que haviam mandado desenhos para as da cidade mais austral, Ushuaia na Argentina. Quem disse que é necessário um barco grande e milhares de dólares para se fazer uma expedição deste porte?

Agora foi uma alegria reencontrar Gerónimo aqui na Marina Bracuhy, num delivery de um catamarã James Wharram de Portugal para o Uruguai, e escutar alguns causos de viva voz. Para você ter uma ideia, clica aí para ler, em castelhano, o que ele escreveu ao baixar as velas de sua India.

Bajar las velas a la Gerónimo na chegada em Quilmesllegada a un puerto puede ser solo la repeticion de un gesto realizado mil veces, pero esta vez tenia varias e importantes connotaciones, tanto para mi como para La India, porque quizas para ella, era la ultima vez. Esta pequeña y noble compañera es con la que debo compartir todos los logros de esta jornada.

Es a la que nunca dejare de agradecerle que me permitio recorrer los mares mas bellos, dificiles e impensados, en plena seguridad. La que se convertio en nido y refugio complice durante tanto tiempo. Que fue marco de momentos sublimes, y receptora y cobijadora en los que necesite un rincon solitario e intimo. A sus virtudes les debo, por lo menos, la mitad de los meritos de esta travesia. Mi cariño y reconocimiento seran para siempre.

Por mi parte, siento una inmensa alegria y sensacion de plenitud que proviene del convencimiento de haber vivido estos años, siguiendo los didactados del corazon.

6 Comentários leave one →
  1. segunda-feira, 22 fevereiro, 2010 @ 6:35 pm 6:35 pm

    Háaaaaaaa…. granda marinheiro, 5 estrelas para ele.

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  2. terça-feira, 23 fevereiro, 2010 @ 2:18 pm 2:18 pm

    Fantástico! Deve ser um grande cara.

    Parabéns Hélio, pela matéria.

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  3. amyres permalink
    quarta-feira, 24 fevereiro, 2010 @ 12:59 pm 12:59 pm

    hélio, 20 pés… veja o que este barco lhe proporcionou. muito bem colocada esta aventura, serve de impulso para qualquer pessoa.
    abraço
    amyres

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  4. quinta-feira, 25 fevereiro, 2010 @ 1:45 pm 1:45 pm

    Do meu 14 faltam só 6 pés, de repente estou mais próximo do meu objetivo e não sabia.. 😉 Grande história Hélio, obrigado por compartilhar! O Gerónimo não escreveu um livro sobre seus feitos não? Seria uma leitura, não? 🙂

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  5. ivanperdigao permalink
    quinta-feira, 25 fevereiro, 2010 @ 5:11 pm 5:11 pm

    Incrível aventura ! Gerónimo tem água salgada nas veias e escreve muito bem. Deveria publicar um livro relatando suas aventuras.

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  6. sexta-feira, 30 julho, 2010 @ 1:02 am 1:02 am

    Pessoal,

    Uma pena Gerónimo não ter escrito o livro ainda. Mas vocês podem curtir muita coisa em seu site (link no início do post acima).
    A boa nova é que estou com Gerónimo em Natal. São muitas histórias, realmente é “o cara”!
    A nova expedição, em fase de planejamento, será fazer a costa do Brasil de… jangada!
    Já me candidatei como proeiro e ele vai precisar de muitos. Quem quer?

    Bons ventos a todos, sempre

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