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Fraternidade – de Grenada ao Panamá

domingo, 14 março, 2010 @ 12:07 am

O Fraternidade no Canal do Panamá O navegador baiano Aleixo Belov, dando continuidade à sua 4ª volta ao mundo, já está na cidade do Panamá. É a 3ª escala do veleiro escola Fraternidade, as outras foram na cidade do Natal e na ilha Caribenha de Grenada.

Se tudo correr dentro do previsto, Aleixo e tripulação seguem hoje para Galápagos.

O tripulante-cineasta Paulo Alcântara nos mandou um texto do comandante e fotos de Ana Luiza Melgaço.

Valeu Paulo!

Clica aí para o relato.

Deixamos Grenada no dia 16 de março de 2010 depois de passar uma semana na ilha. Chegamos pela manhã e fomos entrando no porto de St. George que não visitava desde a minha segunda volta ao mundo. Estava tudo mudado. Tinham construído um terminal para navios de turismo do lado de fora, só na sota da ilha, e dentro da baía um terminal de containers pequeno. O iate clube evoluiu pouco, estava lotado e o restante da laguna foi ocupada por uma enorme marina recém construída. No Carenage o fundeio estava proibido. Pelo radio fui informado que fundeasse lá fora, onde já estavam mais de 10 barcos, e viesse de caíque fazer os papeis para depois definir o destino. E assim foi feito depois de gastar a maior parte do dia. Era, nesta viagem, a nossa primeira experiência no exterior. Em seguida, passei na Marina Port Louis e acertei para ficarmos 6 dias. Mas, como já era tarde, só me instalaria na manhã seguinte para não pagar um dia a mais.

Grenada me lembrava demais meu amigo Lev Smarcevsky, com quem vim aqui pela primeira vez, a bordo do Santa Cruz, em 1970. Meu Deus, como o tempo passa.

A marina era cara, mas era linda, com água e luz, internet rápida, banho quente, piscina e muito mais. No primeiro dia saímos com todo o grupo para fazer um reconhecimento na cidade, ir ao mercado de frutas e almoçar na rua. Daí em diante os grupos se dividiram, cada um seguindo seus interesses, como cachoeiras, caminhadas, baladas com música nativa, praias de surfe, e por fim veleria e supermercados, para repor os estoques de comida.

O povo aqui adora o pessoal de fora e a turma mais comunicativa se encheu de presentes e boa conversa. A ilha é pacata e não tem violência nem vi pobreza. Sua maior fonte de renda são as especiarias, principalmente a noz moscada, e em seguida o turismo. Mas, sobre ela se debruça o mesmo problema de todas as ilhas pequenas. À medida que a população crescer, faltara espaço e emprego para seus filhos como acontece nos Açores e em outras ilhas pequenas, e hoje tem açorianos em todas as partes do mundo. Os jovens se mandam pelo mundo em busca de trabalho e renda deixando os velhos em casa.

No dia 16, saímos de manhã cedo com destino ao Panamá. O vento esteve fraco por um bom período, pois estávamos na sota da ilha. Adiantamos no motor, e só depois o vento assumiu seu posto e desligamos a máquina. A turma estava feliz, a ilha tinha atendido as expectativas

Estabelecemos os turnos, uns dormiam enquanto os outros trabalhavam, cozinhavam ou faziam a limpeza. Todos se interessavam pelas cartas náuticas e pela navegação. Paulo fazia o filme e Jeferson ajudava. Todos os alunos do veleiro escola tornaram-se artistas.

Nosso novo trecho era de 1200 milhas, mas tinha começado devagar. Lá pelo meio da viagem, o vento refrescou, e com a corrente a favor, fazíamos 8 a 9 nos. Em alguns instantes conseguia ler no GPS 10 nos, mas isto só durou 3 dias. Depois o rendimento baixou e veio a calmaria, ou quase isto. Perdi a paciência e toquei o barco para frente no motor. O vento só voltou quando já observava a beleza das altas montanhas do Panamá. Deixei como estava, para chegar mais cedo, e às duas da tarde tinha cruzado a entrada delimitada pelos dois quebra-mares da Limon Bay. Estava em Colon. Era dia 24 de março e tinha chegado no Panamá depois de 8 dias de mar.

Toda chegada e acompanhada de expectativas. Será que vamos ser bem recebidos, será que teremos problemas, e aqui não foi diferente. Ao cruzar a linha dos quebra-mares chamei no VHF, informei minha chegada e perguntei sobre o clearence. Mandaram eu sair da faixa do canal de acesso pois vinha saindo um navio atrás do outro, depois me indicaram onde fundear, era exatamente o mesmo lugar de antes, chamado Flat. O vento soprava, e eu não gostava de chegar com bastante vento, pois tudo ficava mais difícil. Para variar, como sempre, não jogo a ancora uma só vez. Sempre levanto e fundeio melhor.

Já sabia que o iate clube daqui tinha sido demolido para ampliar o porto, e não sabia onde iria ficar. Pedi varias vezes informações sobre o clearance e me perguntaram se tinha agente, como se fosse um navio. A tarde acabou, a noite chegou e ninguém apareceu nem deu solução. Resolvi perguntar a um barco do lado e me informaram que todo dia vem um agente, um nativo chamado Tito que resolve tudo. Pelo menos assim dormi mais tranqüilo.

Tito só veio meio dia e me levou, com os comandantes de outros veleiros que tinham chegado, para fazer os papeis em seis lugares, escritórios, bancos, imigração, etc… Só assim a turma pode sair da área alfandegada onde estávamos apresentando os passaportes.

Colon continuava uma cidade perigosa, com a mesma parte velha, quase em ruínas, onde moraram os que construíram o canal e hoje ocupada por marginais.

Vieram medir o barco, deram o preço, paguei no banco e marquei a travessia para o dia quatro de março. O piloto veio à tarde, subimos três eclusas e atracamos em uma bóia no Gatum Lake. No outro dia, veio um novo piloto, fizemos o lago e descemos três eclusas para chegar ao Oceano Pacifico.

O piloto me ajudou falando no VHF, tentando arrumar uma vaga na Marina Flamingo, mas estava lotada. A marina Balboa não respondeu. Então levei direto mais 10 milhas, observando os enormes arranha-céus da moderna cidade do Panamá, enquanto me dirigia para a ilha de Taboga que ficava bem em frente e mandei arriar o ferro.

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