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No sufoco, engula com manteiga

terça-feira, 22 junho, 2010 @ 12:07 am

O lauto jantar na casa dos Maruja

A despedida da Bahia foi com um jantar na casa de Hugo e Catarina. O simpático casal nos ofereceu um xinxin de galinha com vatapá e caruru (o arroz, nem experimentei, isso eu como em casa) com torta de chocolate e pudim de tapioca de sobremesa. Mara saiu de lá com as receitas (espero que ela divida com vocês, postando aqui) e várias porções para congelar com a promessa de só degustar ao cruzar o Equador.

Antes do jantar visitamos o Hotel Praia da Sereia, que a família Vidal toca na Av. Dorival Caymmi (onde poderia ser? Em Itapuã, claro!). Hugo me garantiu um desconto de 40% nas diárias para os leitores deste blog que sejam velejadores, motociclistas ou que tenham feito o Caminho de Santiago (tem que provar mostrando a carteira da ABVC, de algum iate clube, a compostelana ou chegando de moto).

A “cachaça” de Hugo já foi o motociclismo,  mas depois de rodarem o Brasil de Harley Davidson e de dois enfartes (Catarina, como é uma mulher solidaria, também já teve um) resolveram partir para algo mais light e escolheram a vela de cruzeiro. O casal, que veleja no Delta 36’ Maruja, tem só quatro anos de mar. Na primeira atracagem na Itaparica Marina foi um show digno de vídeocassetada. Ao passar o cabo de amarração para o marinheiro no píer, Hugo foi junto e caiu n’água deixando Catarina, que nunca tinha engrenado uma ré, sozinha a bordo. Uma tripulante do Maracatu (não o nosso, em Salvador tem um catamarã chamado Maracatu), que assistia a cena, foi logo gritando: se esse filho da p%#@ gritar “ai meu barquinho”, ele vai se ver comigo! Felizmente tudo se resolveu, Catarina conseguiu encostar o barco e Hugo, ainda na água, gritou mesmo foi “ai minha mulher”.

Hugo e Catarina do veleiro Maruja No ano passado eles saíram para ir à Baía de Camamu e acabaram esticando até Ilhabela. Ela me contou que na volta, chegando à Ilha Grande, pegaram um mar tão enressacado que achou que iam naufragar. Mas não se fez de rogada, munida de uma maquina de filmar gravou um pungente depoimento. Mostrando “as ondas que chegaram a inundar o bote amarrado no turco”, disse que estava ali por escolha, que o marido não tinha culpa de nada, que era um sufoco danado, mas estava feliz. Depois tirou o chip da câmera e pegou um pote de manteiga. Aí não me contive e perguntei: pra que a manteiga? Eu vi num filme, Catarina me respondeu séria. Qual? O último tango em Paris, repliquei de sacanagem. Não, ela me disse mais seria ainda, a manteiga era para engolir o chip! Se acontecesse o desastre eminente, certamente achariam seu corpo e a mensagem chegaria aos três filhos que ficaram em Salvador. Passado o susto, o Maruja já está inscrito na próxima Refeno e depois, quem sabe?, segue até o Caribe.

Agora, por precaução, tenho sempre um pote de manteiga a bordo do MaraCatu.

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10 Comentários leave one →
  1. ivanperdigao permalink
    terça-feira, 22 junho, 2010 @ 7:50 am 7:50 am

    História sensacional. Tem que ser publicada no Blog do Helio da REVISTA NÁUTICA.
    Que casal interessante. Parabéns para eles.
    Quando passarmos por Salvador vamos tentar conhecê-los.
    Um abraço,
    Ivan mais Egle

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  2. ivanperdigao permalink
    terça-feira, 22 junho, 2010 @ 8:14 am 8:14 am

    Ô Helio, esse relógio não está errado? O post saiu como meio dia de hoje.

    Ivan

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  3. Joao Carlos permalink
    terça-feira, 22 junho, 2010 @ 8:34 am 8:34 am

    Esses baianos e suas histórias maravilhosas. Helio, muito bom o post.

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  4. diariodoavoante permalink
    terça-feira, 22 junho, 2010 @ 11:56 am 11:56 am

    História boa de ler.Valeu!

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  5. Karina permalink
    terça-feira, 22 junho, 2010 @ 1:37 pm 1:37 pm

    Hélio,

    tá vendo que maravilha! Tem mais doidos no mundo que gostam dessas roubadas em que a gente se mete no meio do mar.
    Sejam bem vindos para a Refeno, Hugo e Catarina.

    Hélio e Mara, vcs virão?

    A tapioca continua esperando….

    Karina

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  6. miriam permalink
    terça-feira, 22 junho, 2010 @ 6:10 pm 6:10 pm

    Hélio Viana, isso é sacanagem pura! Vc vai me fotografar a baiana de itaparica da qual comprei muitos acarajés, e eu adorei, comia até puro. Cara que saudade que me deu de itaparica. bjs pra todos do ferrara. miriam

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  7. terça-feira, 22 junho, 2010 @ 8:30 pm 8:30 pm

    “Xinxin de galinha com vatapá e caruru”….ainda bem que tem a galinha pelo meio, senão eu nem sabia se isso éra carne ou peixe. Fiquei a gostar desse casal ai, sobrevivem a uma Harley ( os ataques cardiacos são perfeitamente compreensiveis e justificáveis) e fazem uma atracagem digna de……mim. Mas o que eu gostei mesmo foi da descrição da filmagem, sim senhora, granda mulher. Só fiquei com duvidas numa coisa….o “caminho de Santiago” em referencia a Santiago de Compostela?aqui ao lado em Espanha?!

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  8. domingo, 27 junho, 2010 @ 12:34 pm 12:34 pm

    Po Helio essa vida que voces levam é maravilhosa, pois permite que conheçam pessoas e historias maravilhosas!
    Que sangue frio que tem essa velejadora não é mesmo,eu ja tinha visto algo parecido numa gravação feita pelo Geronimo Santmartin quando perdeu o mastro proximo da Noruega e não tinha certeza do resgate.
    Depois do ultimo tango em Paris descobri-se mais uma utilidade exotica para a manteiga.
    Sejam bem vindos a Natal.

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