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Fraternidade – De Tahiti a Nouméa

quinta-feira, 22 julho, 2010 @ 10:46 am

Fraternidade e as montanhas de Rarotonga

Depois de mais de um mês sem noticias, por conta da dificuldade em achar uma internet decente, o velho lobo do mar Aleixo Belov, o navegador ucraniano mais baiano que conheço, mandou e-mail com relato e fotos da viagem no veleiro-escola Fraternidade. Copiei e colei aí embaixo.

Tahiti sempre foi a grande capital da Polinésia Francesa, e continua sendo. O que mais mudou, desde a última vez, foi o número de carros já com alguns engarrafamentos, o porto que foi ampliado, marinas novas e o Projeto Orla que acabou com o lugar onde fiquei atracado na primeira volta, transformando-o em um grande centro de lazer de primeiro mundo. Aqui se passeia, se come, se dança e se ouve música. Fica-se deitado na grama impecável olhando quem passa ou esperando o tempo passar. Na frente do parque temos o mar, e atrás, por detrás dos prédios, as altas montanhas com seus picos perdidos nas nuvens. O povo maori é muito bonito, seu rosto, seu olhar e seus lábios carnudos nos deixam maravilhados, apesar das mulheres ficarem acima do peso um pouco cedo. A nova vida civilizada não os obriga a gastar as energias que antes despediam para conseguir os alimentos. Aquela vida maravilhosa no meio da natureza por entre as flores e cachoeiras foi aos poucos sendo substituída pela cadeira do escritório ou o balcão da loja. Estas coisas lindas continuam por lá, só que não se tem mais tempo para curti-las.

Ao chegar foi difícil, como sempre, até se encontrar um ótimo lugar na marina, a dez metros da avenida beira mar, de onde sentados a bordo, observávamos quem passava, trocávamos sorrisos ou adeusinhos. A turma mais nova foi quem aproveitou melhor.

Lara estava voltando para Salvador para trabalhar, mas Alexey continuou um pouco mais pois tinha trancado a matrícula na faculdade e só voltaria a partir do próximo porto que seria Rarotonga.

Nosso contrato com Paulo Alcântara para fazer o filme terminou no Tahiti, e provavelmente vamos contratar outro cineasta lá adiante. Vamos ver quem se candidata para ocupar a vaga existente.

Abastecemos, nos despedimos dos amigos e mandamos as reportagens atrasadas para Salvador, pois nas pequenas ilhas que passamos a internet era lenta e não conseguia mandar fotos. Agora com tudo em dia, desatracamos no dia 8 de junho com destino a Rarotonga, uma ilha da Nova Zelândia, que fica a 620 milhas, da qual tinha belas recordações.

Saímos no motor. Demorou até que as altas montanhas parassem de barrar o vento, e só ai desliguei a máquina e segui com as velas. Mais uma vez o vento estava fraco, íamos nos arrastando devagar, até que no dia 14 surgiram no horizonte as verdes montanhas de Rarotonga. Contornamos a ilha e depois de passar pela barreira de corais lançamos a ancora, e indo de ré atracamos no cais, ao lado de outros 10 veleiros.

Água pra todo ladoA ilha é muito turística, pois enquanto na Nova Zelândia faz frio, as praias ensolaradas de Rarotonga acolhem os seus filhos com carinho. Nada de burocracia, muitos hotéis com tudo fácil, internet, carros e motos alugados por bom preço, algumas boates, bares com dança de nativos sorridentes e a ilha toda verde. Quando o vento mudou, porém, o porto ficou em dificuldades e quase todo mundo teve que lançar as ancoras de novo, pois uns barcos caiam por cima dos outros e não foi nada fácil. Terminei lançando 90m de corrente para garantir, isto depois da popa do barco se chocar contra o cais e amassar dois tubos da borda. Fazer o que?

No último dia Alexey se despediu da turma e fui levá-lo no aeroporto. Ele tinha feito pela internet a pré-matrícula e estava voltando para estudar engenharia no quinto semestre. Disse que retornaria nas férias de dezembro. Assim que voltei a bordo, desatraquei e fui em frente. O vento estava duro, e um dos novatos vomitava sem parar, alias, nem conseguia ficar em pé. O barco, porém não tomava conhecimento e seguia em frente rasgando as águas e deixando atrás de si uma grande esteira de espumas brancas.

Nosso destino seria Nouméa, Nova Caledônia, que estava a 2050 milhas. Estávamos em pleno inverno. O vento estava frio e mudava de direção o tempo todo. Ora estávamos orçando, ora com vento a favor, mas a cada 4 dias tudo voltava a ser como antes e assim sem parar. Depois faltava vento, e como estávamos muito ao Sul, sentíamos falta daqueles velhos amigos, os ventos alísios, que ficam na zona tropical. Este trecho durou 16 dias, e chegamos no porto quase sem vento, com mar calmo e com auxilio do motor, um dia antes da previsão anunciar ventos fortes e bem na cara, vindos de Oeste.

Chegamos no final da tarde do dia 8 de julho, depois de atravessar a grande barreira de corais e navegar por 15 milhas em águas interiores. Pelo rádio não conseguimos contato e ficamos ancorados até o amanhecer, para só então tentar uma vaga na marina. Fundear foi difícil, pois o porto era todo marcado com áreas restritas e estava superlotado de barcos. Encaixei-me num cantinho, mas quando o vento Oeste entrou de manhã, foi um tal de remanejar, que terminei tendo que lançar o ferro quatro vezes nas primeiras 24 horas. O Fraternidade com seus 21,50m de comprimento, lançando 60 m de corrente, quando girava, era o terror dos pequenos barquinhos. Só quando consegui uma vaga apertada na marina, que com um pouco Feijoada com brasileiros a bordo do Fraternidadede sorte consegui entrar sem arranhar ninguém, descontraí para descansar. Tem gente que pensa que navegar é só alegria. Aliás, isto só serve mesmo para quem gosta. Pensando bem, só faltam 2000 milhas para a Austrália, onde emplacaríamos meia volta ao mundo.

Em Nouméa encontramos mais de 10 brasileiras casadas com franceses, que nos levaram para passear e organizamos uma bela feijoada a bordo, com forro e tudo.

Clique aqui para a série de posts sobre Aleixo e o veleiro-escola Fraternidade.

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2 Comentários leave one →
  1. marisa permalink
    quinta-feira, 12 agosto, 2010 @ 3:25 am 3:25 am

    Oi amigos do Fraternidade .Por onde navegam neste momentos?? A foto ficou linda !!!!!!obrigada pela feijoda .Um grande abraço

    Marisa e Juan -Nouvelle Caledonie

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  2. Wladmyr Ulianov Moreira permalink
    domingo, 18 setembro, 2011 @ 6:21 pm 6:21 pm

    Que legal , noumea é uma bela cidade, que bom que a conheceram… naveguem com Deus, um abraço do Wlad., Bhte Mg.

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