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A triste lição que fica

quinta-feira, 15 dezembro, 2011 @ 4:37 pm

CatarinaGaldoAndy

A morte de um amigo cruzeirista expõe um tipo de acidente com veleiros bem mais frequente do que parece: o dos mastros contra os fios. Assunto de minha próxima coluna na Revista Náutica.

Às vezes, passamos um tempão sem reencontrar os amigos. Especialmente os cruzeiristas, que vivem boiando mundo afora. Felizmente, a internet está aí pra isso mesmo. Mas, infelizmente, foi através dela que fiquei sabendo de tristes noticias. O amigo Geraldo Freire Aguiar Junior, o Galdo, foi a mais nova vítima de um tipo de acidente que é bem mais freqüente do que parece: o mastro de mezena do seu veleiro, o Baleeiro, tombou sobre um fio de alta tensão, vitimando-o fulminantemente. E sua mulher, Andrea, a Andy, só não teve o mesmo destino porque estava um pouco mais afastada do mastro – mesmo assim, desmaiou na hora.

Na foto acima, em frente ao Baleeiro, na fatídica marina na Ilha de Trinidad, Galdo entre Andy e Catarina, do veleiro Maruja (de onde surrupiei a imagem que abre este post). Andy está enfrentado esta tempestade com bravura. No próximo domingo, dia 18, ela convida os amigos para a cerimônia das cinzas, às 11 horas na rampa da Pedra Bonita, no Rio de Janeiro. Andy também está tentando focar em um projeto de um livro sobre os últimos 5 anos de vida com seu amor. Um projeto que, acredito, lhe ajudará nessa fase de transição e que tentarei ajudar no que estiver ao meu alcance.

MarceloRisatti

E o pior é que, só nos últimos tempos, é o terceiro caso que ouço sobre mastros de veleiros tocando em fios suspensos. Recentemente, em 9 de julho, Marcelo Risatti, que fez comigo o Cruzeiro Costa Leste de 2005, foi eletrocutado porque o topo do mastro do Igaraçú roçou nos cabos elétricos. O acidente ocorreu entre Sales e Adolfo, em um afluente do Tietê, o rio Cervinho, quando ele, sua noiva e um amigo navegavam para encontrar com a flotilha da II Expedição Hidrovia Tietê –Paraná, organizada pela ABVC interior. No início deste mês foi inaugurada em sua homenagem a Marina Pública Marcelo Risatti, em Igaraçú do Tietê, no interior de São Paulo. A marina faz parte de um Complexo Turístico da Praia Maria do Carmo.

LulaBarretoOutro caso trágico aconteceu em agosto de 2005. Rogério, sua esposa Eliane e os dois filhos pequenos saíram de Niterói para fazer a costa nordeste do Brasil. A família estava com o pequeno Nuance num píer em Nova Viçosa, no Sul da Bahia, quando numa noite chuvosa Rogério foi ao convés e pisou num fio (220 Volts) que estava desencapado. A mulher tentou salvá-lo e também levou um choque, mas até ela conseguir desligar o fio ele não resistiu.

O outro acidente, este há bastante tempo, foi com um velejador boa praça lá da cidade do Natal. Lula Barreto velejava seu Hobie Cat na Lagoa do Bonfim quando o topo do mastro tocou em um fio. O parceiro de Lula faleceu e ele caiu n´nágua desacordado e só foi salvo pela namorada que, por sorte, não foi atingida. Lula sofreu várias queimaduras e perdeu a ponta do dedo médio da mão que segurava o estai. E atenção: pelo que me consta, o tal fio ainda continua por lá!

São tragédias, sem dúvida. Mas algumas talvez possam ser evitadas. Eu fico de cabelo em pé quando vejo marinheiro usando politriz, ou qualquer outra maquina elétrica, de dentro de um bote com meio palmo d´água no fundo. Furadeira a bordo deveria ser com bateria recarregável. Toda instalação de corrente alternada em um barco (110 ou 220 Volts) deveria possuir um interruptor diferencial. É uma espécie de disjuntor que desliga um circuito sempre que seja FernandoGodoydetectada uma corrente de fuga superior ao valor nominal – como em um curto-circuito entre fase e neutro quando alguém leva um choque a bordo, por exemplo. O equipamento não substitui o disjuntor térmico e já estou instalando um no MaraCatu.

Como hoje sou o portador de más notícias. Aqui vai mais uma que pesquei, no inicio da semana, no facebook da Karina, lá de Recife (de onde roubei a foto ao lado): “Acordamos com a triste noticia do falecimento do nosso amigo querido Fernando Godoy, que era skipper e sinônimo de competência no mar. Godoy lutava há alguns meses contra um câncer”.

Essa turma soube aproveitar a vida. Só não precisava ter ido embora tão cedo.

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5 Comentários leave one →
  1. quinta-feira, 15 dezembro, 2011 @ 6:08 pm 6:08 pm

    É triste mesmo.
    Por falar em aproveitar a vida, tem aquela máxima: Se o Jovens soubessem, e os Velhos pudessem!!!

    Saúde e Vida Longa Para Todos.

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  2. Hiram Hollanda Jr permalink
    quinta-feira, 15 dezembro, 2011 @ 6:11 pm 6:11 pm

    É triste perder um irmão d’água, um marinheiro, de uma forma tão trágica quanto a que ocorreu com Galdo e quase vitimou sua mulher Andy. Eu não o conhecia, o que para mim não faz a menor diferença: é um marinheiro que se foi. E isso é muito, muito triste. Espero sinceramente que a Andy possa olhar em frente e continuar o belíssimo trabalho que os dois faziam. Quanto ao acidente, uma fatalidade, só temos que lamentar a péssima estrutura das marinas que permitem a permanência de fios em locais próximos a embarcações. Temos que redobrar os cuidados com os barcos e as pessoas a bordo. Segurança é algo que se pratica, mesmo sem ter a menor necessidade.

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  3. glauco tapijara permalink
    sábado, 17 dezembro, 2011 @ 1:56 pm 1:56 pm

    Helio havia um fio de alta no Rio Mambucaba (felizmente elevaram sua altura), que vi 2 acidentes grave , mas sem vitima fatal. Abraços.

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  4. william permalink
    segunda-feira, 19 dezembro, 2011 @ 1:17 am 1:17 am

    hélio: voces estao no Rio hoje 18 de dezembro? abs william 21 – 83610254

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  5. segunda-feira, 9 janeiro, 2012 @ 1:21 pm 1:21 pm

    William,
    Já te mandei email em pvt.

    Glauco,
    Nossa que perigo! Temos que ter cuidado e velejar olhando pra cima.

    Hiram,
    Pelo que vejo no facebook Andy está voltando, aos poucos, sua vida ao rumo normal.
    É isso aí: segurança deve ser praticada todo o tempo.

    César e Glaucia,
    É sim muito triste. Mas vamos tocar o barco no rumo com as velas trimadas.
    Tem também aquele outro ditado que a plebe rude diz: o tempo ruge.

    Bons ventos sempre, a todos.

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