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Diversão garantida

sexta-feira, 28 agosto, 2009 @ 11:30 am

Saveiro Itapira no Paraguaçu - Foto © Hélio Viana

Sabe quem mais vai se divertir amanhã na Regata Aratu Maragojipe? O nosso ídolo Torben Grael. Explico: o campeão da ultima Volvo Ocean Race foi convidado para correr a regata em um saveiro de vela de içar.

O saveirão é um tradicionalíssimo barco do recôncavo baiano que foi, no início do século XX, o principal meio de transporte para o abastecimento da capital. Mas essa jóia baiana quase foi à extinção, não fosse pelo trabalho desenvolvido pelo antigo Centro Náutico da Bahia e por Pedro Bocca, que juntou um grupo de amigos e fundou a Associação Viva Saveiro.

Outro projeto de sucesso foi dos velejadores Átila Bohm, hoje o skipper do clássico Atrevida, e David Hermida, este um ex-saverista que tinha um saveirão com o sugestivo nome de… Não Digo. Pois eu digo: eles criaram o Grupo Anárquico de Apaixonados e Dedicados ao Saveirão e com muita garra e grades de cerveja ajudaram a restaurar o Vendaval II do mestre Afrodisio Silva Reis, mais conhecido como Nute.

Para você sentir o clima, veja aí alguns dizeres dos saveristas coletados por David Hermida.

    • Tenho uma embarcação, mas não posso comprar uma vassoura. Mestre Maré do saveiro Tupi, de 14,80 metros e construído em 1900.
    • Quando acaba o rancho o saverista empenha a bandeira do barco para poder comer. Mestre Xagaxá do saveiro Cruzeiro da Vitória, de 13,75 metros e construído em 1920.
    • Os Saveiros vão durar eternamente, é só a gente ir consertando os barcos. Mestre Tubico do saveiro Garboso, de 11,80 metros e construído em 1910.
    • Meu avô e meu pai, tudo foi saverista e é o que eu sei fazer. Mestre Nelson do saveiro Sempre Feliz, de 11,21 metros de comprimento.
    • O saveiro é minha distração, desde os meus 15 anos de idade que viajo embarcado. Mestre Nute do Vendaval II, construído em 1947, de 14 metros, que ganhou um mastro novo de 95 palmos ou 20m de altura!
    • Liberdade é o prazer de trabalhar sem patrão ao ar livre, o saveiro é tudo! Mestre Memeu do saveiro Ideal, construído em 1930, com 15,25 metros e do Itapira, construído em 1920, com 14 metros.
    • O saveiro é minha felicidade depois da família. Mestre Bartô do Sombra da Lua, de 12,50 metros e construído em 1930.
    • Relógio de ponto do saverista é a maré. Mestre Biga do saveiro Flor de São Francisco, de 11,50 metros e construído em 1954.
    • Só sei viver assim navegando. Mestre Lourão do saveiro Feliz Ano Novo, de 13 metros e construído em 1955.

    Saveirão abarrotado de areia de Nagé - Foto © Hélio Viana Hoje os ventos sopram mais a favor e já se pode contar 20 saveiros velejando pela Baía de Todos os Santos. Até se comemora o dia do saveiro, em 19 de janeiro, instituído em função da data de nascimento de Lev Smarcevski, um ucraniano que morou na Bahia e escreveu o belo livro Graminho, A Alma do Saveiro.

    Dorival Caymmi cantava que “saveiro partiu de noite, foi madrugada, não voltou. O marinheiro bonito, sereia do mar levou”, mas como Torben não é bonito, também não vai correr o risco de completar os versos do poeta que diz que é doce morrer no mar.

    Agora o que espero mesmo é que ele tenha tempo de experimentar, mesmo durante a regata, o feijão que é feito na popa do saveiro em um fogareiro de barro. Pense numa coisa boa!

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