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Aço inox é tudo igual?

terça-feira, 29 setembro, 2009 @ 12:07 am

America no Rio Boat Show - Foto © Reinaldo Giovannetti Encontrei com Reinaldo Giovannetti no Rio Boat Show de 2004. Depois perdemos o contato, mas ele acompanha o blog, como diria o pessoal lá da Moóca, de rabo de olho, há bastante tempo. Até me enviou a foto ao lado, com a querida Dona América.

Agora Reinaldo está empenhado na reforma de seu veleiro, e sem cair na tentação do jaqueísmo, desenhou e construiu todas as ferragens de inox do Mythos, um Fast 395.

Não é o Reynaldo Gianecchini, mas o cara entende um bocado de aço inox e vai dividir esta experiência com a meia dúzia de três ou quatro leitores do MaraCatu Weblog.

Depois tem mais, mas por hora clica aí para saber se aço inox é tudo igual.

Aços inox em barcos.

Quem tem barco sabe: ferragens inox duram muito! O que nem todos sabem é que existe o aço certo para cada aplicação, e quem fabrica a ferragem pode não saber disso.

Entendendo porque o aço inox é mais resistente à corrosão.

Os aços inox não são totalmente imunes à corrosão, como leva a crer o nome inoxidável, são na verdade, mais resistentes à corrosão. Alguém mal informado traduziu como inoxidável a palavra Stainless Steel, que ao pé da letra quer dizer resistente a manchas.

Os aços inox são ligas a base de Ferro contendo no mínimo 10,5 % de Cromo. A presença do Cromo em sua composição química forma uma película protetora na superfície do material, chamado Filme Passivo, que protege o aço inox da corrosão atmosférica.
Quanto maior o percentual de Cromo na composição química do aço, maior será sua proteção contra a corrosão atmosférica.

Outros metais possuem o tal filme passivo também, só que em vez de Cromo podem ser compostos por ouro, platina, alumínio, etc. Sua jóia (aliança , anel, etc.), não oxida porque possui um filme passivo a base de ouro, metal muito resistente à corrosão.

Qualquer aço inox serve para fazer peças em barcos?

Não. Como falamos o percentual mínimo de Cromo na composição química do aço inox deve ser de 10,5%, este percentual garante a resistência à corrosão atmosférica em meios rurais. Em resumo: seria o aço inox mais “pobre” de todos.

No ambiente marinho, entra em ação o sal (Cloreto de Sódio – NaCl), contido na água, e este, causa uma agressividade muito maior na atmosfera da região, se comparado a uma cidade do interior do país, longe da costa.

As especificações de aços inox para o ambiente marinho são, entre outros da ABNT: 316, 316L, 317, 317L. Estes aços além do Cromo e Níquel, possuem também Molibdênio.

Se o seu barco fica no litoral, você deve solicitar ferragens em 316. O tal 316L é o mesmo aço, apenas o teor de Carbono é limitado, favorecendo o processo de soldagem.

Para barcos que ficam em represas, lagos ou rios, portanto em água doce, as peças podem ser feitas em 304 ou 304L.

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20 Comentários leave one →
  1. terça-feira, 29 setembro, 2009 @ 6:01 am 6:01 am

    Eu estou a construir um veleiro de 45 pés e todo o convés será em inox aisi 316 L. As questões que se colocam não são pacificas. A capacidade de torção do casco será maior, tendo em atenção a maior manebilidade do aço carbono, qual será o comportamento geral tendo em atenção a ligação estrutural dos dois aços, ou seja, maior torção do casco em aço carbono/menor menor torção do convés em aço inox.
    Outra questão são as forças galvanicas, nunca consegui uma resposta satisfatoria, sei que a Loyds não certifica barcos completamente fabricados em aço inox (embora eles existam) e alguem me disse que eu devo esperar uma maior corroção do casco, será?.
    Uma coisa eu sei, não se deve aplicar madeira em cima do aço carbono.

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  2. Reinaldo permalink
    terça-feira, 29 setembro, 2009 @ 10:05 am 10:05 am

    Bom dia Conde,

    Parabéns pela sua decisão em fazer um barco em aço, é uma ótima opção!
    Na Itália, há uns 5 ou 6 anos, acompanhei a construção de um veleiro, Walkirie, todo em Aisi 316L, inclusive fizeram uma matéria na revista Acciaio Inossidabile, publicada pelo Centro Inox de Milano, se encontrar a revista ai na Europa pode te dar mais alguns parâmetros.
    O Fraternidade, veleiro do Aleixo Belov, que você poderá ver aqui no Blog do Hélio, também possui o convés em Aisi 316L.
    Vamos tentar explorar suas dúvidas por partes, ok!
    1. Não entendi direito sua colocação sobre “manebilidade” do aço carbono e capacidade de “torção” do casco, mas vou tentar dar alguns parâmetros sobre os dois materiais:
    O aço inox Aisi 316 possui maior capacidade de alongamento (quanto o material consegue “esticar” antes de romper) que o aço carbono, enquanto o 316 “estica” cerca de 54% o aço carbono (Sae 1020) alonga cerca de 25%, resumindo o inox deforma mais antes de romper.
    2. Limite de Escoamento (LE), é quanto o material “resiste” entes de começar a deformar (passagem do campo elástico para o plástico), o LE do Aisi 316 é de 300 MPa enquanto o aço carbono Sae 1020 fica em 210 MPa. Como você pode perceber as propriedades mecânicas do aço inox são superiores ao aço carbono, porém, existe o problema da corrosão sob tensão e da corrosão intergranular, fatores que atacam o inox e não atacam o carbono.
    3. Como prevenir a corrosão galvânica na união casco/convés: se fizer a união entre os materiais bem feita, solda de boa qualidade, pinte muito bem as partes, utilize a tinta como isolante. Lembre-se corrosão é diferença de potencial, se as partes estiverem isoladas a corrosão poderá ser evitada.
    Não descuide nunca dos anôdos de sacríficio, eles serão seu “termômetro” de como estão as coisas na junção casco/convés.
    4. O Loyds não certifica tanta coisa que usamos, o aço inox é um material considerado recente, sua primeira corrida comercial aconteceu em 1922, barcos em inox só estão sendo fabricados há 15 ou 20 anos de maneira “amadora”, sem uma NORMA específica, métodos, enfim, o Loyds não possui parâmetros para certificar um produto que não possui critério normativo, acho que é isso.
    Meu email é reinaldo.giovannetti (a) yahoo.com.br, passe-me suas duvidas pelo email que tentarei respondê-las.

    Abs,

    Reinaldo

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  3. permalink
    terça-feira, 29 setembro, 2009 @ 9:33 pm 9:33 pm

    aaaaaaaah que lindo uma quase entrevista com meu pai *-*

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  4. quarta-feira, 30 setembro, 2009 @ 2:41 am 2:41 am

    Pessoal,

    O microfone está aberto. Estejam à vontade para papear sobre aço, vamos transformar isso aqui numa mesa redonda. De inox escovado, claro!

    Bem vinda a bordo. Filhinha coruja ein? O paizão agora é colaborador do blog. A entrevista sai quando o Mythos estiver pronto.

    Bons ventos sempre,

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  5. quarta-feira, 30 setembro, 2009 @ 11:56 am 11:56 am

    Agradeço as dicas, fiquei a saber que o aço inox tem maior capacidade de alongamento do que o aço carbono,pensei sempre que fosse precisamente ao contrário. Eu sei que os Zincos são fundamentais, agora o que soube á pouco tempo é que existe uma posição optima na sua colocação no casco!?. Qual será essa posição optima e quais os critérios para a calcular!.
    E Reinaldo, podes crer que assim que eu tiver duvidas eu as coloco, até alguem me mandar calar!.
    A união do convés com o casco (aço inox aisi 316/ aço carbono) eu faço soldando com electrodos de aço inox aisi 316 ou arame de aço inox da mesma qualidade na semi-automatica (Mig-Mag) e utilizando gás Argon.

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  6. Reinaldo permalink
    quarta-feira, 30 setembro, 2009 @ 2:51 pm 2:51 pm

    Conde,

    A posição dos anodos no casco é importantíssima e o cálculo de sua massa considera o potencial galvânico dos metais, meio (água do mar) e área a ser protegida.
    Devo ter ainda os cálculos que fiz para o MC 36′ em aço, projeto do Roberto Barros (Cabinho), vou procurar e se ainda os tiver passarei a vc para que recalcule considerando a àrea do seu barco. Os cálculos estavam demonstrados passo a passo, bastará substituir os valores.
    Não custa lembrar que a área do casco onde os anodos serão fixados não deve ser pintada, caso contrário vc isolará o anodo do casco.
    A soldagem inox/aço carbono terá melhor resultado (penetração e velocidade) se vc fizer com eletrodo revestido, com muita atenção na regulagem do equipamento para obter uma boa fusão.
    Se conseguir eletrodos Aisi 317L melhor, já que possui teor de Molibdênio de 3%, contra os 2% do Aisi 316. O metal de adição (solda) terá propriedades melhores que o metal base.
    A importância de usar eletrodos “faixa” L (Low Carbon)é com relação ao teor de Carbono, enquanto o material comum, sem o “L”, têm C de 0,08% máximo o material “L” fica com 0,03% máximo, este teor baixo de Carbono será de grande valia na região da solda, para minimizar um fenômeno chamado de sensitização (parece doença de garganta mas não é!).
    As soldas TIG, MIG, MAG são ótimas hein, não estou desdenhando ou falando mal delas, apenas conheço um pouco da fabricação de barcos em aço e minha experiência aponta que com o eletrodo vc terá melhores resultados nesta aplicação.

    Abs,

    Reinaldo

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  7. quarta-feira, 30 setembro, 2009 @ 5:47 pm 5:47 pm

    Tem toda a logica não pintar a zona dos anodos para não os isolar mas,eu não me lembraria disso!!. Aposto que alguns dos veleiros que conheço estão com o casco todo pintado….vou averiguar!. Algumas pessoas já me disseram para soldar tudo com electrodo revestido, que é uma soldadura mais “limpa” e não faz “colagem”. Ao contrário a semi-automatica é bastante mais rápida e é melhor para “aberturas” no encosto dos chines e tem o prigo de fazer colagem e parecer que está soldado.

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  8. Reinaldo permalink
    quarta-feira, 30 setembro, 2009 @ 6:11 pm 6:11 pm

    Conde,

    Só não se deve pintar o casco na parte em que fica em contato direto com o anodo.
    Dificilmente você conseguirá ver se o casco está pintado se o anodo estiver no lugar.

    Abs,

    Reinaldo

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  9. quarta-feira, 30 setembro, 2009 @ 7:21 pm 7:21 pm

    Reinaldo,

    È evidente que a pintura ou o isolamento do zinco é “apenas” no local de contacto directo. Além de ser dificil de verificar se existe pintura com o anôdo no local, ainda fica mais dificil porque tudo isso fica normalmente abaixo da linha de água. Eu vou apenas perguntar para as pessoas.

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  10. Débora permalink
    quarta-feira, 30 setembro, 2009 @ 10:07 pm 10:07 pm

    Não entendo nada de aço, isto é com o maridão! O que quero é que as peças em inox fiquem prontas e que o Mythos possa navegar. Bjs

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    • quinta-feira, 8 outubro, 2009 @ 11:20 am 11:20 am

      Débora,

      Bem vinda a bordo.

      Pelas fotos que recebi as peças estão ficando um brinco.

      E quanto ao fogão, o maridão já fez um em inox para o Mythos?

      Aqui no MaraCatu temos um de 2 bocas feito a partir de um da marca “Jóia” que funciona perfeitamente há 12 anos. Um amigo cortou e dobrou as chapas de inox, isolamos com lã de vidro e rebitamos toda a “caixa”. A bandeja de inox, a grelha e os queimadores são do Jóia. Perfeito.

      Espero ter arrumado trabalho para Reinaldo, que deve estar com tempo sobrando, já que vive por aqui de papo com o Conde (outro desocupado).

      Bons ventos sempre.

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  11. quinta-feira, 1 outubro, 2009 @ 9:36 pm 9:36 pm

    Para a Débora, E mais nada, está tudo dito, o resto é conversa da treta (como se diz por aqui).Tenho que ver se o “MYthos” tem algum blogue….amanhã!.

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  12. Débora permalink
    quinta-feira, 1 outubro, 2009 @ 9:54 pm 9:54 pm

    Conde,

    Assim que o Mythos estiver na àgua enviaremos algumas fotos para o Hélio postar no blog. O Reinaldo está fazendo algumas fotos das ferragens, acho que em breve vc terá novidades aqui no blog.

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  13. quinta-feira, 8 outubro, 2009 @ 12:26 pm 12:26 pm

    Desocupado hem? e o senhor ocupadissimo , já recebeu o livro?.

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    • sábado, 10 outubro, 2009 @ 11:28 am 11:28 am

      Conde,

      Você deve estar mesmo ocupadíssimo, menos com o blog que raramente recebe uma foto da construção do barco.
      De minha parte ando com o tempo curto. Isso aqui dá um trabalho danando, mas sou mesmo é um vagabundo assumido.
      Sei que o livro já chegou ao Rio. Na proxima semana irei buscá-lo. Muito obrigado.
      Espero que aprecie o estilo de Aleixo Belov em seu último livro.

      Bons ventos sempre,

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  14. sexta-feira, 9 setembro, 2011 @ 8:57 am 8:57 am

    A ABINOX – Associação Brasileira do Aço Inoxidável, realizará em parceria com o SENAI de Suzano, palestras técnicas gratuitas sobre a utilização do Aço Inoxidável nos dias 26, 27 e 28 de setembro de 2011.
    Maiores informações nos sites:
    http://www.sp.senai.br/suzano
    http://www.nucleoinox.org.br
    contato para inscrição no tel:(11) 3813-0969
    Certificados serão oferecidos na conclusão dos 2 módulos.

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  15. genivaldo permalink
    quarta-feira, 17 outubro, 2012 @ 9:00 am 9:00 am

    eu queria saber se posso soldar um tc inox na flang de aco carbono

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  16. sábado, 18 maio, 2013 @ 8:27 am 8:27 am

    Hélio, infelizmente Dna América faleceu no dia 12/5, a voz dos cruzeiristas se calou. Vamos guardar a lembrança do sorriso fácil e das boas risadas desta grande amiga.

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    • domingo, 19 maio, 2013 @ 11:32 am 11:32 am

      Reinaldo,

      Sim, já tomei conhecimento, em pleno dias das mães. Uma perda lamentável, a voz do anjo da guarda dos navegantes se calou.
      Gracias pela informação.

      Bons ventos sempre,

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  1. Esclarecendo alguns pontos, quase enferrujados! « Veleiro Mythos

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