Aviso aos Navegantes
☆ No Radar: com o Vagabond, já são 18 barcos com brasileiros girando pelo mundo☆ Jules Verne Trophy: Groupama 3 deverá chegar em Cape Twon no domingo
☆ Mundial de Fórmula Windsurf, no Marina Park Hotel em Fortaleza. Eu vou!
☆ 4ª Regata Richards de Veleiros Clássicos, de 27 a 29 em Búzios. Eu vou também!

De Tatajuba seguimos em lombo de bugue pela Costa do Sol Poente em direção à Camocim, o município que possui a maior faixa de litoral do Estado do Ceará.
Fomos pela praia e a única parada foi para ver a vista no Coqueiro Solitário. Galego, nosso motorista e guia, nos contou que um pescador levava, a pé, uma carga de coco de Guriú para Camocim e, já noite, parou para dormir em uma praia deserta. Ao acordar notou que um dos cocos de sua carga estava brotado e não teve duvida: plantou a muda onde tinha sido sua cama. Pelo tamanho do coqueiro que deu nome à praia, que também chamam de Coqueiro do Abenço, isso deve ter sido há muito tempo.

As fotos são do ano passado, quando fomos de Tatajuba para a Lagoa da Torta passando por trás do tal coqueiro, com a visão do mar, pelas Dunas Fixas e pela Duna do Funil.

A Duna do Funil é um buraco de areia, com quase 90 graus de inclinação, em forma de… funil. Esta parede movediça é ideal para a prática de sandboard ou esquibunda, uma descida com emoção, sentado sobre uma tábua fininha. No inverno daqui, de janeiro a junho, o fundo do funil enche e o desportista aterrissa em uma refrescante lagoa. O problema é a volta, que é como escalar uma ampulheta. Eu, como não sou desportista – especialmente de esportes radicais -, fiquei ajudando a aliviar o peso da geladeira de um providencial vendedor ambulante.
Para quem ainda não me segue no twitter, aqui vai uma seleção dos tuítinhos das duas últimas semanas.
Se quiser seguir minhas pegadas pelas areias de Jeri, seja rápido porque aqui venta pra (@r@lho, mas é só clicar aqui.
Vídeo com Torben Grael recebendo o ISAF Rolex World Sailor of the Year Awards. http://tinyurl.com/yhkfvox
RT: @murillonovaes: http://twitpic.com/q12l9 Jurerê, Floripa-O paraibano Fábio Espinar é o novo campeão brasileiro de Hobie Cat 14.Parabéns!
O Open 60 BT, de Sébastien Josse, chega rebocado e semi-afundado em Terceira, nos Açores. http://tinyurl.com/yf7up5p
Campeonato Brasileiro de Wind Slalom, dias 14 e 15 em Camocim. Eu vou http://tinyurl.com/yjx43nq
O barco Cork, da Irlanda, vence a 3ª perna da Clipper Round the World Race http://tinyurl.com/yz796bx
Jeri News: quase toda quarta tem apagão, das 9 às 14 sem energia para manutenção da rede elétrica. Hora de ir pra rede de dormir
RT @jbodanzky: No blog de Carlos A. Mattos(autor de Jorge Bodanzky-O homem com a câmera) Bodanzky relembra Lévi-Strauss http://migre.me/baYt
RT @1972: @jhcordeiro o mundo é dos Betas… é beta site, beta tester, beta blockers, peixe beta…
Oba! Estou entre 1% dos usuários do twitter com o botão de retweet. É beta, mas é massa…
O alemão tem o paradoxo de que a ele não é permitido esquecer, mas é insuportável lembrar – Pedro Bial, em Berlim, sobre a queda do muro
Fotos do tri Actual, que capotou na Transat Jacques Vabre. Yves le Blevec e o co-skipper Jean Le Cam passam bem http://tinyurl.com/yz3ytez
RT: @lgoldfeld: O farol da Ilha Rasa começou a transmitir um sinal de AIS, mais um auxílio à navegação.

As dunas móveis podem engolir tudo o que não se mover na sua frente, de coqueirais a cidades inteiras. Foi o que aconteceu com a, hoje, Velha Tatajuba. Na década de 80 do século passado, o vento que soprou direto, dia e noite, durante sete anos, não deixou pedra sobre pedra: a areia soterrou o pequeno vilarejo.
Quem conta a historia é a vaidosa Dona Delmira dos Santos que, mãe de 9 filhos e toda maquiada na janela de seu “ponto comercial” – uma das poucas casas ainda de pé -, há doze anos vende coco e dá de graça os causos do local. E vai logo avisando: se for interrompida começará tudo de novo. E é verdade. Interrompi com uma pergunta banal e ela, igual aos guias mirins que tecem loas à cidade de Olinda, depois de um sorriso de repreensão recomeçou do zero.
Durante 15 minutos Dona Delmira desfia o rosário da desdita dos moradores da vila. Levou menos de 15 anos para as 150 casas serem engolidas pela areia. Mas tem mais, tá vendo aquele Morro Branco ali na frente? É a Duna Encantada e lá existe um navio soterrado. Reza a lenda que à noite vultos podem ser vistos e sons podem ser ouvidos no local.
Mas os moradores não se deram por vencidos. Atravessaram o braço de mar, que se forma na maré cheia e permitiu a entrada do tal navio encantado, e construíram as primeiras casas da Nova Tatajuba com o que conseguiram salvar da vila soterrada. Depois a prefeitura terminou o serviço, construindo o resto do vilarejo.
A praça em frente à igrejinha tinha uma caixa de concreto com uma televisão dentro e logo ganhou o apelido de Praça do Português, porque cada banco tinha a inscrição Administração Antonio Manuel Veras, o nome do prefeito à época, e foram instalados voltados para… fora da praça. Talvez por conta do apelido, a TV foi retirada recentemente.
Só é possível chegar à Nova Tatajuba de bugue ou em carros com tração nas quatro rodas. A trilha é sobre um infindável mar de areia. Os moradores, mesmo contra a especulação imobiliária para o turismo de luxo, estão na expectativa de virar point turístico. A vila já conta com duas pousadas, a mais bacana é de um suíço, e até uma escola de kite surf. Além disso, a Acomota – Associação Comunitária dos Moradores de Tatajuba faz parte da Rede Cearense de Turismo Comunitário, a Tucum, que articula a hospedagem de visitantes em casas de nativos e pousadas domiciliares. Tatajuba será a Jericoacoara de amanhã?

O jeito mais fácil para ir de Jericoacoara até Camocim é de bugue. Lá fomos nós para o oeste, pela praia na maré baixa e por trilhas entre as dunas quando não dava para transpor algum braço de mar.
O Galego, nosso bugueiro, que não é louro mas ganhou este apelido por conta dos olhos verdes, enquanto acelerava para vencer o areal, ia nos alimentando de causos e histórias.
Saindo de Jeri a primeira parada, a pouco mais de 10 Km, foi no estuário do Rio Guriú que delimita o Parque Nacional e separa os municípios de Jijoca de Jericoacoara e Camocim. Atravessamos numa balsa movida à feijão. A pequena vila, de mesmo nome, sobrevive da pesca, de um turismo incipiente e da exploração dessas balsas. Contei umas 7, com capacidade para dois carros, com três homens em cada servindo de motor. Na volta, com a maré cheia, foram necessários mais dois braços para nos empurrar no contra vento.
O rio, que na realidade é um braço de mar, com suas águas rasas, sem ondas e com um forte vento lateral que sempre se faz presente, é um bom lugar para a
prática do kite surf. Pena que chegamos atrasados, uns quinze dias atrás houve uma regata de canoas locais com suas velas coloridas.
Daqui o passeio segue até a praia por entre um exuberante manguezal de areia pelo lado esquerdo da trilha (e sem vida pelo lado do rio, não sei porque), continua para Tatajuba, as dunas fixas, Mangue Seco e por aí vai. Mas só vou contar depois, pois agora vou comer um peixe na brasa no Beco do Guaxelo.
Quando soube do Campeonato Brasileiro de Wind Slalom em Camocim, no fim de semana passado, aproveitei e fui de bugue pela praia conhecer mais este ancoradouro na costa cearense.
A raia é no delta do Rio Coreaú, que banha a cidade, e a turma teve que ralar. No sábado (14) ventava fácil acima de 30 nós e nas onze regatas entre os atletas de cinco países, contando os convidados, quem se deu bem foi o italiano Alberto Menegatti, seguido por Wilhelm Schurmann e pela prata da casa, o cearense Gabriel Browne, o Biel.
No domingo também ventoso, depois de regatas bastante disputadas, Biel conseguiu uma virada espetacular e repete o feito de 2007: é o campeão do Brasileiro de Wind Slalom.
Biel venceu cinco das treze etapas disputadas. “Estou muito feliz com a conquista. Vencer Schurmann e Menegatti foi muito difícil. No primeiro dia, fui muito bem enquanto os ventos estiveram fortes, depois acabei perdendo alguns pontos. Hoje [domingo] ventou muito, o que favorece bastante meu estilo de velejar e permitiu minha reação”, disse o bicampeão.
Abaixo tem a classificação geral e a foto do pódio. Vale lembrar que João Henrique ficou em terceiro, já que Menegatti era um atleta convidado.

No entorno da Lagoa da Torta em Tatajuba. Bidê nem pensar, né?
Jericoacoara está bem aparelhada para o turismo. Cada ano surge mais pousadas, serviços e comércio. Notei dois novos mercadinhos e uma padaria. Apesar do turismo forte, a vila que até os anos 80 sobrevivia da pesca, ainda abriga alguns pescadores. Nessa parte do litoral cearense as canoas prevalecem sobre as jangadas. Dia sim, e no outro também, três homens por canoa saem à noite e na manhã seguinte é fácil de encontrar peixe, fresquinhos na praia ou servidos nos inúmeros restaurantes.
Tem de tudo, de um restaurante chique no Hotel Mosquito Blue, que nunca experimentamos, a um PF de seis reais na Rua São Francisco, onde comemos várias vezes. O Da Vince, na Rua Principal, já foi considerado o melhor restaurante do Ceará.
Já fui, e gostei, no Bistrogonoffe, da paulista Dona Rose, a filha Carla e o marido Shampoo, que, além da boa mesa, oferecem um atendimento simpático e atencioso. Mas o mais gostoso foi um peixe na brasa no Beco do Guaxelo. O peixe sai fresquinho da peixaria e vai direto para a churrasqueira montada na rua de areia onde os pedestres disputam lugar com as várias mesas.
Este ano experimentamos um honesto frango gratinado no molho branco, com uma farta guarnição, no Dona Amélia e Dona Mara está se esmerando na cozinha. Almoçamos quase todos os dias em casa: já teve Cioba fresquinha no forno, lasanha e até um feijão incrementado com carne seca e paio. Eu, que não tenho paladar refinado e sou feijão positivo, adorei.
O folclórico é um pão recheado com chocolate na Padaria São Francisco que sai – imagina – a partir das três da matina. E tem fila! Principalmente em dia de show no Mama África. Essa iguaria só experimentei uma vez e, sinceramente, prefiro o tradicional, recheado com queijo.
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A fila andou. Não encontrei mais com a figurinha carimbada Bin Lata vendendo suas esculturas nas noites de Jeri. Por onde será que ele anda?
Bin Lata, nascido Olavo Torquato, em agosto de 1968, lá pros lados de Tauá no centro oeste do Ceará, trabalha como artesão nômade há 15 anos. Aos 5 anos de idade foi adotado por uma família e passou a trabalhar na roça. Só aos 17 veio conhecer o pai, que era artesão, e a mãe, que hoje mora em Quixadá.
O estilo de escultura ambulante surgiu em 2005 quando passou por Ouro Preto e começou a trabalhar com latas recicláveis. Apesar da aparência e de ser analfabeto, Bin Lata é bem articulado e me contou que já passou por 17 estados. “Venho subindo desde a Argentina e antes de Jeri fiquei uns temos em Itacaré, no sul da Bahia, mas meu sonho é conhecer a Amazônia”.
Você se considera um artesão, perguntei entre uma musica e outra do Jeri Sport Music do ano passado: “sim, sou mais um aqui na Terra e agradeço o dom aquele lá de cima”, e terminou o papo dizendo que “criar é fácil, o difícil mesmo é lutar contra o preconceito pela forma que me visto”.
Outra coisa que não encontrei em Jeri foi a placa com a campanha da Revista Náutica, a do peixinho desenhado por Ziraldo. Ficava ao lado do poço de água doce que é o ponto de encontro dos hippies – sim, aqui é um dos poucos lugares que ainda existe esses bichos grilos. A campanha é até simpática, mas acho que a frase “só jogue no mar o que o peixe pode comer” deveria ser atualizada. Imagine peixe comendo feijão, arroz e farinha… Sei não.
Por duas vezes fiz viagens longas de barco (mais de 800 milhas), onde minha ração diária de cerveja se limitava a uma latinha. Fazia um verdadeiro ritual para tomar tão precioso liquido, mas notei que não sou dependente de álcool.
Agora estou passando por outra provação: ficar off line a maior parte do tempo. Oi, a internet 3G não funciona em Jeri. Não tenho TIM. Claro, Vivo na praia. Já apresento sinais de abstinência, só não está grave porque o visual e os passeios são de tirar o fôlego.
Por sorte Fernando, o filho de Mara, mantém, com o sócio Cláudio, o melhor Cyber de Jeri. Bem localizado na Rua Principal, tem seis máquinas, dois pontos de rede para lepitopi, uma sala
fechada com mais 5 máquinas para a molecada jogar, telefones VOIP (pela internet), um frízer com refri e cerveja, ar-condicionado (o único que oferece este conforto) e serve cachaça em vez de café. Não é à toa que se chama Cyber – adivinha? – Cachaça. Aqui é o meu point pós praia e, à noite, sou sempre o ultimo a sair.
Claro que antes faço um pit stop na distribuidora de Nazinho para hidratar o corpo com umas Bohemias geladas, que descobri ontem, vindas de uma fabrica na minha terrinha João Pessoa, na Paraíba. Continuo são e hidratado.






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