Pular para o conteúdo

O maior e o pior, tudo junto

sábado, 31 julho, 2010 @ 12:07 am

Praia de Pirangi, próximo ao Cotovelo, região metropolitana de NatalPirangi do Norte, à 12 Km da cidade do Natal, é uma praia de veraneio. No nordeste do Brasil tem dessas coisas: as famílias mantêm casas nas praias, mesmo que fiquem a poucos quilômetros da moradia principal, para onde se mudam durante o verão.

A praia de Pirangi durante o verão é um dos locais mais badalados do litoral sul potiguar e é famosa também por abrigar pertinho da orla, segundo o Guinness Book, o Maior Cajueiro do Mundo. Eu não medi, mas em 122 anos de existência a árvore já tem 8.500 m² de copa. E continua crescendo!

No último dos posts sobre nossas férias – não ria, quem vive boiando também tem direito a férias -, quando alugamos um carro e navegamos por terra até Jericoacoara, publiquei uma foto de uma lanchonete chamada Comeu Morreu.

O bar, lanchonete e budega Comeu Morreu cresceu. Agora Pirangi tem o maior cajueiro e o pior restaurante.

Comeu Morreu, o pior restaurante

Tem xeique árabe em Natal

sexta-feira, 30 julho, 2010 @ 12:07 am
por Hélio

Os dromedários de Jenipabu

Um bom programa em Natal é caminhar pela beira-mar, aproveitando a maré baixa, até a praia de Jenipabu (ou Genipabu, não há um consenso). Lá, vale uma parada para uma água de coco no Bar 21 e depois de hidratado tentar subir nas dunas de Jenipabu, o cartão postal mais DromedarioJenipabufamoso do Rio Grande do Norte.

Já tentou escalar as areias escoantes de uma ampulheta? Pois prepare as pernas para o desnível de quase 30 metros. De cima, uma vista deslumbrante, provavelmente um dos locais mais fotografados no Estado, num canto da baía se vê a varanda do bar na frente de um pequeno coqueiral e as areias da duna terminando no mar.

Este lugarzinho fica no município de Extremoz, a meros vinte quilômetros de carro do centro de Natal, e está no Parque Ecológico Dunas de Genipabu, que é considerado o segundo maior parque urbano do Brasil. Foi onde surgiu a pergunta “com ou sem emoção?”, que os bugueiros sempre fazem aos turistas referindo-se à intensidade das manobras radicais pelas dunas móveis.

Tem xeique árabe em Jenipabu Ah sim, tem também o famoso passeio de camelo nas dunas. Oops, dromedário sua anta! O que diferencia os dois é uma corcova, você sabe, o camelo possui duas. São cerca de 10 animais, trazidos e “aclimatados” pela empresa Dromedunas, que oferece até plano de saúde aos bichinhos fedorentos. O programa “5 cocares” existe desde 2 000 e se popularizou após aparecer na novela global O Clone, que era ambientada no oriente.

Os turistas pagam o mico de se sentir como o xeique das Arábias, com direito a turbante para aplacar o sol inclemente, e eu me delicio em capturar as imagens.

Paçoca de Pilão em Pirangi

Quinta-feira, 29 julho, 2010 @ 12:07 am

Paçoca do Paçoca de Pilão

Continuando a pesquisa para um guia gastronômico de Natal, saímos à cata de uma boa paçoca. Não confundir com a paçoca doce, ou paçoquinha, feita com amendoim. A paçoca, um prato de origem indígena e tradicional no nordeste, é feita triturando carne de sol e misturando com um pouco de farinha de mandioca e cebola roxa.

Apesar de popular, é difícil encontrar um restaurante que faça paçoca à moda antiga, quer dizer, socada no pilão. Foi ai que Nelson e Lucia, do veleiro Avoante, nos levaram à praia de Pirangi do Norte, que fica no litoral Sul, para experimentar uma paçoca pilada, não por acaso no tradicional restaurante… Paçoca de Pilão.

Há 20 anos, a sua proprietária Adalva Dias Rodrigues cuida pessoalmente do restaurante e ainda guarda o primeiro pilão de madeira onde começou fazendo o principal prato da casa. “O pilão tem que ser de madeira, que impede o ressecamento da carne; a verdadeira paçoca tem que ser molhadinha”, ensina Dona Adalva.

Sentamos debaixo de um frondoso cajueiro e degustamos o acepipe, que vem acompanhado de macaxeira cozida, feijão-verde, arroz de leite e banana. Levemente regado com manteiga de garrafa. Pena que ainda não exista sabor na internet.

Pra arrematar escolhemos cartola, não o sambista, mas a sobremesa. Esta até eu sei fazer, tem  preparo facílimo, grande sabor e muitas calorias. Anota aí a receita:

Ingredientes:
- uma banana prata cortada ao meio no sentido do comprimento
- uma fatia grossa de queijo manteiga, ou queijo do sertão (na Bahia chamam de requeijão)
Cartola, a tradicional sobremesa nordestina- um tiquinho de manteiga
- um punhado de açúcar refinado
- umas pitadas de canela em pó

Modo de fazer:
- Frite separadamente a banana e o queijo, até dourar (só use a manteiga para a banana)
- Arrume a banana em um prato e sobre ela derrame o queijo ainda quente
- Polvilhe com a canela misturada ao açúcar e sirva imediatamente
- Coma com moderação

Sempre soube que a sobremesa foi criada em Picuí, a terra da carne de sol na região do Seridó Paraibano. Mas o Projeto de Lei Ordinária Nº 948/2009, em seu Art. 1º, propõe que a sobremesa cartola passa a ser considerado patrimônio cultural e imaterial do Estado de Pernambuco. E revogam-se as disposições em contrário.

Por onde andam os brasucas?

Quarta-feira, 28 julho, 2010 @ 12:07 am

Silvio treinando os dotes nos cabelos de Lilian

Já são mais de 36 barcos com brasileiros e brasileiras girando pelo mundo.

Aqui vai a posição relativa dos barcos, com informações de e-mails recebidos e pescadas no blog de Silvio e Lilian do veleiro Matajusi, que andam caçando porco selvagem em Vanuatu.

Também contei com a ajuda de Andy e Galdo do Baleeiro, que estão charteando as BVI’s e deixaram comentário na seção Gira Mundo do Radar, onde tem os links para os sites da turma.

Estamos sozinhos no Ferrara, que continua em Natal. O barco, que já é grande, ficou enorme. Mi Capitán Jordi teve que ir a Barcelona resolver uns probleminhas inadiáveis. Enquanto isto, Com Andy e Galdo no Rio de Janeirovamos curtindo A Cidade do Sol embaixo de um pouco de chuva e esperando o mar baixar (o rádio não para de dar aviso de ressaca para a área Foxtrote).

Amanhã chega o tripulante João Big River para substituir Vilmar, que teve que retornar ao veleiro Jornal (que continua a venda na Marina Bracuhy, em Angra dos Reis).

Mike e Larissa, do Walk On, adiaram a partida de Galápagos por conta de uma falha no motor.

Hugo e Gislayne estão morando com família em Auckland, com Talita já na escola, e vendendo o Beduina.

Mario e Paula, deixaram o Pajé a venda na NZ, e estão pelo ABC (Aruba, Curaçao, Bonaire), agora em um catamarã de 55 pés. Na mesma época, quem estava por lá com eles era Torres e Elisa do Kanaloa.

Bob e Bel do Bicho Vermelho, devem estar por Opua.

Matias, que teve um probleminha com o Bravo na chegada a Fiji no ano passado, ainda deve estar em Darwin no norte da Austrália se preparando para partir para as ilhas Cocos Kelling.

Lê, sozinho no Sargaço, já deve ter cruzando o canal do Panamá.

Os meninos do Canela, depois de manutenções em Opua, devem ter ido para Fiji.

A Maura e o Marcelo do Gardian (que ficou na Venezuela) estão na Nova Zelândia trabalhando em um catamarã.

João Caçador, do Zazoo, já deve estar em Fiji.

O Ronny, do Luar, está rumo à Croácia.

João Sombra, do Guardian, estava com o barco em reforma em Opua, desde que caiu do barco e quebrou o mastro a caminho da NZ em 2 008.

Flavio e Diogo, do Ituska, estavam na Indonésia e foram os únicos que continuaram viagem durante o período dos ciclones no Pacifico.

Cristiano do Vagabond, capotou o barco em uma tempestade entre a Nova Zelândia e Austrália, mas chegou são e salvo a Brisbane.

Marcelo e Mariana do Bicho Papão, saíram do Sarava e foram para a Austrália, onde Marcelo já está trabalhando na construção de um hospital. O Bicho Papão está à venda.

O Planckton está nos Açores, o Santa Paz em Los Roques, o Guizzy está em Curaçao (não pode ir para os Açores este ano). O MarMar está em Rio Dulce ainda, mas Marcelo, Martina e Marina estão na Europa (Marcelo está trabalhando).

O brinco do pirata

Terça-feira, 27 julho, 2010 @ 12:07 am

Lúcia, depois de muito esforço, coloca o brinco em Hélio

Perdi meu brinco, uma argola de ouro pequenininha que já estava em minha orelha há bastante tempo. Lúcia, do veleiro Avoante, me ouviu choramingando pelos cantos do Iate Clube do Natal e me fez uma baita surpresa. Ela sabia que eu queria um brinco em forma de manilha, mas tinha que ser de ouro pois tenho alergia a outros metais (chique né?).

Então Lúcia mandou fazer um sob medida e me deu de presente! Ela avisa que aceita encomendas e despacha para todo o Brasil. O preço eu não sei, que é indelicado perguntar valor de presente, mas é só entrar em contato com ela por e-mail clicando aqui.

Brinco de manilha, pode ser usado até no mastro do barco Dizem que essa moda de cabra macho usar brinco começou com os piratas. Principalmente os do Caribe que, influenciados pelos espanhóis, usavam grandes argolas. Era moda na Espanha do Século XVI o uso de brincos por homens.

Naquela época os piratas, depois de uma curta carreira de ruindades, terminavam enforcados e a maioria era morta no mar. Reza a lenda que se o corpo desse em terra, o brinco seria usado por quem o achasse para fazer um enterro digno. Daí quanto maior o adereço, mais pompa teria o funeral.

Nos dias de hoje, no inicio da década de 1 990 o Clube São Cristóvão, no Rio de Janeiro, virou uma central de construção amadora de veleiros. Além dos oito projetados por Cabinho que estavam sendo feitos pelo Sindicato Ajuricaba num galpão enorme, havia ao lado um galpão menor onde Luis e Marli reformavam o Green Nomad e o casal Bob e Doris terminava a construção do Doris, ambos os projetos Van de Stadt de 36 pés.

Bob, em pé, vendo a instalação do trincaniz Num fim de tarde, depois do serviço, Bob – na foto ao lado vendo a instalação da trincaniz no MaraCatu -, veio me perguntar o que eu achava dele usar brinco e qual orelha deveria furar?

Respondi que homem fura a orelha esquerda. Esse mito surgiu também com os piratas. Dizem que era por causa do arcabuz. Imagine se o pirata usasse um brinco do lado direito e como a maioria era destro, cada vez que o cão da espingarda batesse na espoleta, poderia acertar a argola e arrancar um pedaço da orelha.

Foi aí que Bob me falou muito serio que então existem dois tipos de homens que usam brinco: os piratas ou os gays. E como hoje não existem mais piratas…

Como diz o colega blogueiro Anselmo Gois: é, pode ser…

Tuítinhos # 8 de 2010

segunda-feira, 26 julho, 2010 @ 10:37 am

Se você for me seguir no twitter, faça-o por sua conta e risco. Mas se quiser mesmo assim, é só clicar aqui.

Abaixo vai uma seleção dos tuítinhos dos últimos dias.

Deu no Globo: especialistas explicam por que as baleias atacam barcos http://bit.ly/crxEPR

“A esperança é como sal, não alimenta, mas dá sabor ao pão” – Saramago

Catálogo holandês de venda pela Internet. Não clique em nada até a animação em flash carregar. Vale a espera: http://producten.hema.nl

“No fim tudo dá certo, se não deu é porque ainda não chegou ao fim” de um tripulante durante o naufrágio do trimarã Acauã na volta da Refeno

Vou passar lá Gasparzinho, um cheiro RT: @Frigideiras: Tem gastronomia no Blog www.frigideiras.com

Já são 35, os barcos com brasileiros girando pelo mundo. Veja no Radar em http://wp.me/P9E59-EX

Resultado da escala em Natal: 5 garrafas de cachaça de presente dos amigos. Vou voltar mais vezes

O Ferrara em Natal, por Nelson do blog Diário do Avoante http://wp.me/vwig

Em Barra de Mamanguape tem o Projeto Peixe-boi Marinho. Veja lá no blog http://wp.me/p9E59-hU

Enquanto morei na ponta do Cabo Branco, até início da década de 1980, era o primeiro nas Américas a ver o sol nascer

@MarciaPsy Como canta a diva cabo-verdiana Cesária Évora: não sou eu quem me governa, quem me governa é o mar

A revista da vela mundial em vídeo DesTopNews, até agora só em inglês, francês e alemão, saiu em português (de Portuga… http://bit.ly/9yyYJX

Alguém aí já falou que Salvador é composta por átomos de Hidrogênio, Acarajé e Dendê. Confirmei hoje em Itapuã. Valeu tripula do Maruja

Como parte das comemorações dos 100 anos do nascimento de Jacques Cousteau, o lendário Calypso vai ser restaurado http://www.cousteau.org/

RT @murillonovaes Abby Sunderland, solitária de 16 anos, some no oceano Austral. Veja em: http://wp.me/pDQX9-5X

O super-maxi Leopard não supera o Mari-Cha IV no recorde de travessia do Atlântico http://bit.ly/dATMie (via @Regateando)

Zézinho, Moniquinha e Magrão trouxeram o veleiro Piatã de volta a Fortaleza http://curacaobrasil.blogspot.com/ (via @gnaisse)

O chambaril do Cobra Choca

Domingo, 25 julho, 2010 @ 12:07 am
por Hélio

Nós no Cobra Choca

Acho que vou fazer um guia gastronômico dos bares e restaurantes que visito em cada escala. Aqui vai mais uma dica em Natal: o restaurante Cumpade Cobra Choca (pense numa galinha choca, arisca depois de por um ovo, uma cobra então… deve ser um perigo!).

Quem nos apresentou ao Cobra Choca foi Elder, de quem já falei no post O caviar nordestino. O nome do restaurante, simplesinho com bancos de madeira na varanda de uma casa numa viela de um bairro da periferia, vem do hábito do proprietário de chamar a si mesmo e aos clientes de “cumpade cobra choca”.

O chambaril do Cobra ChocaO cumpade é uma figura, antigamente almoçava junto aos clientes usando uma bacia de lavar roupa como prato e a sobremesa normalmente era uma jaca. Hoje, por conta de colesterol alto, está mais comedido.

A especialidade da casa é o chambaril, que é como os nordestinos chamam o osso buco (literalmente osso furado, em italiano), a perna do boi cortada horizontalmente. Só que a esposa do cumpade, que é quem pilota a cozinha, não corta o osso em finas rodelas. Um bom naco da perna do boi vem para a mesa inteiro, acompanhado de legumes, um delicioso pirão feito com o caldo do cozido e arroz branco. Como entrada pedimos uma porção de fava, um feijão grande e rajado, mas no cardápio tinha iguarias como cunhão de boi torrado (para quem não fala nordestinês, cunhão são os testículos) e porco com bode.

Mesmo para os que conhecem essa receita, a aparência do osso, como uma perna de um dinossauro pequeno, com cartilagens à mostra causa  uma certa estranheza. Mas que logo é esquecida na primeira garfada. O prato leva meio dia para ficar pronto, o músculo fica macio e com um sabor bem próprio.

A cara de felicidade de JordiNunca vi mi capitán Jordi, que Mara diz ser chato para comer, atacar um prato típico brasileiro com tanto afinco. Basta ver a cara de felicidade dele na foto ao lado, ao fim do repasto.

Ah sim, o Cobra Choca fica no bairro Dix-sept Rosado. Aqui merece um parêntese (o nome do bairro é uma homenagem ao ex-governador do Rio Grande do Norte Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia, que era filho de Jerônimo Rosado e irmão de Jerônimo Vingt-un Rosado, de Vingt Rosado e de Dix-Huit Rosado. Era uma penca de filhos, os nomes dos últimos rebentos do patriarca Jerônimo Rosado são algarismos em francês. Chique né? A filha mais velha, Primeira Rosado, era conhecida como Dona Primeirinha). Fecha parêntesis.

O rabo da jubarte e o veleiro

sábado, 24 julho, 2010 @ 12:07 am
por Hélio

Jubarte com veleiro em Abrolhos

No post anterior publiquei a noticia sobre uma baleia que “caiu” em um veleiro na costa da África do Sul. O flagrante, supostamente feito por um turista, gerou polemica na net. Seria montagem? Foi photoshopeada?

Não acredito, a não ser que a CNN e o Telegraph, que usei como fontes, mais Globo, Náutica Online e o antenado Murillo Novaes tivessem comido uma “barriga” maior que a minha, que não sou jornalista. No jargão jornalístico usa-se o termo “barriga” para designar as bobeadas dos profissionais, quando uma notícia é publicada, mas que acaba se provando falsa. Um caso clássico: lembra-se do “boimate” publicado pela revista Veja?

Ai me lembrei da foto acima, tirada nos Abrolhos uns tempos atrás. O autor é Marco Terranova, que fotografa desde os 12 anos de idade, profissionalizou-se aos 15 e em sua trajetória no Jornal do Brasil, ganhou em 1 999 o prestigiado Prêmio Esso de Fotografia.

No portfólio do fotógrafo no site da Associação Brasileira de Imprensa, Marco diz que já fez várias viagens aos Abrolhos como parte de um projeto pessoal. E acrescenta: “Esta é uma foto pensada. É preciso tomar muito cuidado ao se fazer esse tipo de registro, porque a jubarte tem mais de 40 toneladas. Aquele é o barco onde viajo até o momento em que pego o bote para fotografar mais próximo dos animais”.

Esta parece ser verídica.

Visita de peso

sexta-feira, 23 julho, 2010 @ 12:07 am
por Hélio

Flagrante da baleia amerissando em veleiro

Era para ser uma simples velejada a dois, com mar calmo e pouco vento, quando o mundo desabou sobre o Intrepid, um sloop de aço de 33 pés.

Pense num susto! Paloma Werner velejava tranquilamente com o parceiro Ralph Mothes, em Table Bay, na costa da Cidade do Cabo, quando avistou uma baleia franca emergir a cata de ar a uns 100 metros de distancia do barco. “Achamos que ela ia nadar por debaixo do veleiro. Não tivemos tempo de fugir. Ela pulou diretamente em cima de nós”, disse Paloma, depois do susto, a um jornal local.

A baleia, que tinha o tamanho do barco e cerca de 40 toneladas, depois de amerissar no barco, se debateu um pouco, deixou lascas de pele e gordura espalhada pelo convés e voltou ao mar. Um turista que estava por perto conseguiu registrar o flagrante. O Intrepid perdeu o mastro e voltou para o porto no motor, que estava desligado na hora do acidente. As baleias não enxergam bem e esta, coitada, não deve ter “escutado” o barco.

O casal, experientes velejadores do Cape Town Sailing Academy, prometeu velejar de motor ligado quando em águas visitadas por baleias, como deve ser feito na região do arquipélago dos Abrolhos entre julho e novembro. Eu, que quase atropelei uma jubarte naquelas águas, vou reler com atenção o clássico Moby Dick, de Herman Melville.

O Intrepid depois do encontro casual

Fontes: fotos do Facebook com informações do Telegraph e CNN.

Fraternidade – De Tahiti a Nouméa

Quinta-feira, 22 julho, 2010 @ 10:46 am

Fraternidade e as montanhas de Rarotonga

Depois de mais de um mês sem noticias, por conta da dificuldade em achar uma internet decente, o velho lobo do mar Aleixo Belov, o navegador ucraniano mais baiano que conheço, mandou e-mail com relato e fotos da viagem no veleiro-escola Fraternidade. Copiei e colei aí embaixo.

Tahiti sempre foi a grande capital da Polinésia Francesa, e continua sendo. O que mais mudou, desde a última vez, foi o número de carros já com alguns engarrafamentos, o porto que foi ampliado, marinas novas e o Projeto Orla que acabou com o lugar onde fiquei atracado na primeira volta, transformando-o em um grande centro de lazer de primeiro mundo. Aqui se passeia, se come, se dança e se ouve música. Fica-se deitado na grama impecável olhando quem passa ou esperando o tempo passar. Na frente do parque temos o mar, e atrás, por detrás dos prédios, as altas montanhas com seus picos perdidos nas nuvens. O povo maori é muito bonito, seu rosto, seu olhar e seus lábios carnudos nos deixam maravilhados, apesar das mulheres ficarem acima do peso um pouco cedo. A nova vida civilizada não os obriga a gastar as energias que antes despediam para conseguir os alimentos. Aquela vida maravilhosa no meio da natureza por entre as flores e cachoeiras foi aos poucos sendo substituída pela cadeira do escritório ou o balcão da loja. Estas coisas lindas continuam por lá, só que não se tem mais tempo para curti-las.

Ao chegar foi difícil, como sempre, até se encontrar um ótimo lugar na marina, a dez metros da avenida beira mar, de onde sentados a bordo, observávamos quem passava, trocávamos sorrisos ou adeusinhos. A turma mais nova foi quem aproveitou melhor.

Lara estava voltando para Salvador para trabalhar, mas Alexey continuou um pouco mais pois tinha trancado a matrícula na faculdade e só voltaria a partir do próximo porto que seria Rarotonga.

Nosso contrato com Paulo Alcântara para fazer o filme terminou no Tahiti, e provavelmente vamos contratar outro cineasta lá adiante. Vamos ver quem se candidata para ocupar a vaga existente.

Abastecemos, nos despedimos dos amigos e mandamos as reportagens atrasadas para Salvador, pois nas pequenas ilhas que passamos a internet era lenta e não conseguia mandar fotos. Agora com tudo em dia, desatracamos no dia 8 de junho com destino a Rarotonga, uma ilha da Nova Zelândia, que fica a 620 milhas, da qual tinha belas recordações.

Saímos no motor. Demorou até que as altas montanhas parassem de barrar o vento, e só ai desliguei a máquina e segui com as velas. Mais uma vez o vento estava fraco, íamos nos arrastando devagar, até que no dia 14 surgiram no horizonte as verdes montanhas de Rarotonga. Contornamos a ilha e depois de passar pela barreira de corais lançamos a ancora, e indo de ré atracamos no cais, ao lado de outros 10 veleiros.

Água pra todo ladoA ilha é muito turística, pois enquanto na Nova Zelândia faz frio, as praias ensolaradas de Rarotonga acolhem os seus filhos com carinho. Nada de burocracia, muitos hotéis com tudo fácil, internet, carros e motos alugados por bom preço, algumas boates, bares com dança de nativos sorridentes e a ilha toda verde. Quando o vento mudou, porém, o porto ficou em dificuldades e quase todo mundo teve que lançar as ancoras de novo, pois uns barcos caiam por cima dos outros e não foi nada fácil. Terminei lançando 90m de corrente para garantir, isto depois da popa do barco se chocar contra o cais e amassar dois tubos da borda. Fazer o que?

No último dia Alexey se despediu da turma e fui levá-lo no aeroporto. Ele tinha feito pela internet a pré-matrícula e estava voltando para estudar engenharia no quinto semestre. Disse que retornaria nas férias de dezembro. Assim que voltei a bordo, desatraquei e fui em frente. O vento estava duro, e um dos novatos vomitava sem parar, alias, nem conseguia ficar em pé. O barco, porém não tomava conhecimento e seguia em frente rasgando as águas e deixando atrás de si uma grande esteira de espumas brancas.

Nosso destino seria Nouméa, Nova Caledônia, que estava a 2050 milhas. Estávamos em pleno inverno. O vento estava frio e mudava de direção o tempo todo. Ora estávamos orçando, ora com vento a favor, mas a cada 4 dias tudo voltava a ser como antes e assim sem parar. Depois faltava vento, e como estávamos muito ao Sul, sentíamos falta daqueles velhos amigos, os ventos alísios, que ficam na zona tropical. Este trecho durou 16 dias, e chegamos no porto quase sem vento, com mar calmo e com auxilio do motor, um dia antes da previsão anunciar ventos fortes e bem na cara, vindos de Oeste.

Chegamos no final da tarde do dia 8 de julho, depois de atravessar a grande barreira de corais e navegar por 15 milhas em águas interiores. Pelo rádio não conseguimos contato e ficamos ancorados até o amanhecer, para só então tentar uma vaga na marina. Fundear foi difícil, pois o porto era todo marcado com áreas restritas e estava superlotado de barcos. Encaixei-me num cantinho, mas quando o vento Oeste entrou de manhã, foi um tal de remanejar, que terminei tendo que lançar o ferro quatro vezes nas primeiras 24 horas. O Fraternidade com seus 21,50m de comprimento, lançando 60 m de corrente, quando girava, era o terror dos pequenos barquinhos. Só quando consegui uma vaga apertada na marina, que com um pouco Feijoada com brasileiros a bordo do Fraternidadede sorte consegui entrar sem arranhar ninguém, descontraí para descansar. Tem gente que pensa que navegar é só alegria. Aliás, isto só serve mesmo para quem gosta. Pensando bem, só faltam 2000 milhas para a Austrália, onde emplacaríamos meia volta ao mundo.

Em Nouméa encontramos mais de 10 brasileiras casadas com franceses, que nos levaram para passear e organizamos uma bela feijoada a bordo, com forro e tudo.

Clique aqui para a série de posts sobre Aleixo e o veleiro-escola Fraternidade.